O MÉTODO CARTESIANO:

By Acervo Filosófico

  Por: Juliana Vannucchi

  O Discurso do Método, publicado em 1673, não apenas é uma das obras mais prestigiadas de René Descartes, mas certamente, de toda a história da filosofia. Tal importância pode se justificar pela notável influência de seu conteúdo, que contribuiu imensamente para a área da Gnosiologia e também serviu como base teórica para o desenvolvimento da Ciência. 

  O livro é narrado em primeira pessoa e dividido em seis partes que abordam temas diversificados, tal como a moral, a ciência e a existência de Deus. Ao longo da obra, Descartes descreve detalhadamente todo o processo de reflexão que o motivou a escrevê-lo e que o conduziram às conclusões que estabelece ao longo do texto. Há também alguns aspectos biográficos, tal como informações sobre o que o filósofo estudava, alguns lugares em que esteve e algumas datas e contextos gerais nos quais realizou certas constatações e desenvolveu parte de seus raciocínios. Entretanto, neste presente texto, nosso foco é apresentar um elemento específico do Discurso do Método, e que é um dos pilares de todo o sistema filosófico elaborado por Descartes. Trata-se do “Método Cartesiano”, que consiste num ceticismo metodológico, ou seja, o ato de duvidar de tudo aquilo que pode ser colocado em dúvida, mas tendo como objetivo encontrar a verdade, não se tratando, portanto, de uma dúvida radical e sem finalidade, mas sim de uma etapa para busca de um conhecimento absoluto e que possa ser provado como verídico.

  Dessa forma, para se chegar ao conhecimento da verdade e visando guiar devidamente o raciocínio, René Descartes elaborou um método universal (o “Método Cartesiano”) para orientação do pensamento. A inspiração para formulação desse método, conforme o próprio autor narra no início do livro, teria surgido em uma série de três sonhos que o filósofo teve em 1619.

  Antes de adentrarmos nas quatro regras que formulam esse método, há duas ressalvas importantes e que merecem ser citadas por terem influenciado sua construção e que podem ajudar a compreendê-lo melhor: primeiramente, o fato de que o método deveria ser guiado pela razão, afastando-se assim, dos habituais enganos advindos dos sentidos. Segundo: o filósofo menciona a matemática como um saber seguro e absoluto, que se afasta, portanto, dos enganos que provém dos sentidos e que se encontra na essência do próprio método que ele desenvolve. A partir de tais observações, podemos agora citar e apresentar as quatro regras do Método Cartesiano: 

Evidência: Seria uma espécie de “funil” pela qual passa um conhecimento. Esta regra tem a função de filtrar a informação, de não deixar passar aquilo que se conhece de maneira evidente, para evitar precipitação, isto é, para impedir que algo duvidoso seja incluído no juízo e, busca, portanto, como ponto de partida, aquilo que é indubitável.

Análise: Está etapa consiste em dividir o problema que está sendo investigado, em quantas partes for necessário dividi-lo para que ele possa ser analiso com mais cautela e atenção. 

Síntese: Consiste num ordenamento do objeto de investigação. Nesta fase, agrupa-se (do mais simples ao mais complexo) aquilo que foi anteriormente separado.  

Enumeração: Realização de enumerações e revisões completas e gerais para certificação de que nada foi omitido e que não houve nenhum equívoco ao longo do processo. 

   O Método Cartesiano, portanto, é um caminho objetivo e seguro para “orientação do espírito” (ou seja, pra guiar a razão humana na busca pela verdade). Conforme já citado, influenciou não apenas a filosofia, mas também a ciência, tendo imensa importância na construção do racionalismo moderno e, por tais razões, O Discurso do Método tornou-se um verdadeiro clássico atemporal. Outro livro essencial escrito pelo filósofo, que é indicado e até mesmo indispensável para estudos mais aprofundados, é Meditações Metafísicas. Neste fechamento do texto, ainda ressaltando a importância do legado de Descartes, é válido citar que seu sistema filosófico influenciou outros grandes pensadores, tal como Pascal, Spinoza, Leibniz e até mesmo Isaac Newton.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

DESCARTES, René. O Discurso do Método: in: Descartes. São Paulo: Abril, 1983. Tradução de: J. Guinsburg e Bento Prado Júnior.

 

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