A COSMOLOGIA ESTOICA:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

O Estoicismo foi uma escola filosófica do Período Helenístico, fundada no início do século III a.C, em Atenas por Zenão de Cítio, sob influência de Sócrates, do Cinismo e do Epicurismo. Em 155 a.C, foi levada para Roma, e lá conquistou novos e importantes adeptos, tal como Marco Aurélio, Lucano, Epiteto e Sêneca. A palavra “estoicismo” vem do grego “stoá“, que significa “pórtico” (ou então, “Pórtico Pintado”como era também conhecido), que consistia no local em que Zenão reunia seus alunos para transmitir os ensinamentos do Estoicismo. Várias obras foram escritas pelos filósofos estoicos, e elas possuam abordagens diversificadas: algumas delas tratam de Epistemologia, outras de Ética, Metafísica, Lógica e Física. Este texto, porém, é bastante específico, e pretende expor as bases conceituais da cosmologia que fazem parte da Física estoica.

Para o Estoicismo, o universo teria surgido a partir do fogo, que era um elemento primordial. Em seguida, surgiram outras substâncias: o ar, a terra e a água e, posteriormente, os homens, as plantas, os animais e os mundos. Em certo momento, após ter se desenvolvido, tudo seria consumido pelo fogo e, depois, esse mesmo processo começaria a se refazer. Quando o ciclo se iniciasse novamente, todos os eventos que aconteceram antes, inevitavelmente se repetiriam nos mínimos detalhes, e isso sempre aconteceria de maneira sucessiva. Por exemplo: você está lendo este texto agora, e isso já ocorreu inúmeras vezes em outros ciclos e também irá se repetir desta mesma forma futuramente. Para os estoicos, nada poderia ser diferente de como é, pois o destino já estava traçado em seus mínimos detalhes e os fatos são predeterminados por uma espécie de plano divino que almeja o bem. Os motivos para tal repetição cíclica era a existência de uma espécie de “razão universal” (ou logos), um princípio benevolente, ativo e imanente,  da qual derivava a matéria que, por sua vez, era um princípio passivo. 

Contudo, como se deve agir e como é possível ser feliz diante de um mundo no qual os fatos já estão traçados, e nos quais não somos capazes de interferir? A resposta dos estoicos é que a virtude consiste, justamente, em agir conforme a natureza do universo e a felicidade, por sua vez,  surge como consequência deste alinhamento harmônico para com os fatos predestinados. Para ilustrar esta concepção de virtude, Cleanto (discípulo de Zenão de Cítio) narrou a seguinte alegoria: Imagine um cão que se encontra amarrado a uma carroça. No momento em que esta começa a andar, o animal pode resistir e assim ser arrastado, latir, ofegar e até mesmo ferir-se. Contudo, o cachorro também tem a opção de acompanhar serenamente a locomoção da carroça, uma vez que está amarrado e ela encontra-se, inevitavelmente em movimento. Isto significa que a virtude é, de certa forma, uma postura de adequação do pensamento, uma sintonia para com os fatos inalteráveis.

REFERÊNCIA:

BOTELHO, João Francisco. A Odisseia da Filosofia, 2015. Editora: Abril.  

GARVEY, James, STANGROOM, Jeremy. A História da Filosofia. São Paulo: Editora Octavo, 2013. Tradução de Cristina Cupertino.

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