A FALSEABILIDADE NA FILOSOFIA DE KARL POPPER:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

   Karl Popper (1902-1994) foi um dos pensadores mais brilhantes do século XX. Destacou-se especialmente na área da Filosofia da Ciência e um dos principais temas de sua filosofia, e que lhe rendeu notável reconhecimento é a questão da falseabilidade, que será explorada neste texto.  

Este texto apresenta a questão da falseabilidade no pensamento de Karol Popper

Karl Popper (1902-1994) foi um dos pensadores mais brilhantes do século XX. Destacou-se especialmente na área da Filosofia da Ciência.

 A Ciência é construída através da observação e da experiência, pelas quais constatam-se fatos isolados que permitem a determinação de certos critérios universais. Esse processo é chamado de indução e é justamente nesse ponto que se enquadra o conceito de falseabilidade desenvolvido por Popper, que pode ser compreendido como a capacidade de se refutar uma teoria científica, mostrando que ela é falsa. 

  Popper ofereceu o seguinte  exemplo para demonstrar a questão da falseabilidade: observo inúmeros cisnes brancos e, então, por repetição, ou seja, após ver vários espécimes de tal cor, por indução, raciocino que “se um cisne é branco, todos os outros também são”. Entretanto, suponhamos que, certo dia, me deparo que um cisne negro e, eis que então, surge-me um problema, uma vez que perceberei que nem todas as aves desse tipo são caracterizadas pela cor branca. Se tal ave surgir, isto é, um cisne negro, então, a afirmação anterior (de que todos os cisnes são brancos), que  é baseada na observação e na experiência, consequentemente é considerada falsa e, portanto, não pode ser científica.

  Em outras palavras, o problema que acontece nesse exemplo dos cisnes e que mostra como a Ciência é arquitetada, é que a observação repetida de um fato, não prova, necessariamente, que essa circunstância se repetirá e que esse fato deva ser universal, isto é, ter valor absoluto – ou seja, observar e encontrar 100, 200, 500 ou 1000 cisnes brancos, não me permite afirmar que “todos os cisnes são brancos”. Não há consistências ou garantias em afirmar que o futuro será necessariamente como foi o passado e que os mesmos eventos irão sempre se repetir de igual maneira. 

  Repare que o empirismo é essencial para a construção de uma teoria científica, mas ocorre que, levando em consideração a questão da falseabilidade, o conhecimento formulado pela experiência possui certa inconsistência, não gera certezas, e a possibilidade de refuta-lo mostra que através dele não é possível elaborar tantas proposições universais conforme muitas vezes fez (e faz) a Ciência. Digamos que não haveria lógica nos argumentos indutivos que compõe as teorias científicas. 

  A falseabilidade, portanto, consiste na tentativa de demonstrar, através da própria observação, que uma teoria científica é falsa. Ora, seguindo esse raciocínio, percebemos que um dos aspectos que podem tornar uma teoria científica verdadeira é justamente o fato de que ela pode ser refutada e que enquanto ela o puder ser, não será válida. Dessa forma, falsificar uma teoria é fundamental para o progresso da própria Ciência. Por outro lado, quanto mais difícil é falsear uma teoria, mais consistente, confiável e segura ela demonstra ser. 

 

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