A MORTE FELIZ – ALBERT CAMUS:

By Acervo Filosófico

Por Juliana Vannucchi

Não há grandes dores em grandes arrependimentos, nem grandes recordações.Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas e ela surge de vez em quando. É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para o desespero sem razão que se apoderam de nós”.

O pensamento que Albert Camus desenvolveu em seu ensaio filosófico, “O Mito de Sísifo”, pode ser captado como pano de fundo de um de seus célebres romances, “A Morte Feliz”. Nesta obra, encontramos um protagonista (Patrice Mersault) que leva uma vida pacata, marcada por uma notável fadiga existencial, e um desejo comum aos homens: a felicidade. Assim, Mersault perde-se em seu mundo interior, no qual seu próprio tédio abraça suas vontades, para que ambos caminhem juntos ao encontro de uma suposta vontade de viver. E essa premissa remete claramente a uma passagem de “O Mito de Sísifo”, na qual Camus escreveu que “o absurdo e a felicidade são filhos da mesma terra“. É exatamente isso que percebemos no personagem central da obra em questão, pois ele consegue encontrar seus sorrisos somente na medida em que admite a obscuridade de sua vida. 

Patrice Mersault vive em busca de liberdade e de amores, ainda que tudo possa ser passageiro. Por isso, relacionamentos lhe importam, mas não solucionam seu mal-estar. Ser livre proporciona prazer, mas não de maneira plena. Ele busca independência de tudo, talvez até de si mesmo. E assim segue seu cotidiano, numa nostalgia de intensidades oriundas do próprio absurdo que é estar vivo. E claro, em que outro ponto poderá terminar uma jornada como essas, se não, na morte? A morte, que nos é tão comum… que nos é tão fatal, e tão absurda… apenas esperamos que seja uma morte feliz.

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