ANAXÍMENES:

By Acervo Filosófico

Por Juliana Vannucchi

Anaxímenes de Mileto (“Mileto é o local onde nasceu. Atual Turquia) viveu na segunda metade do século 6 a. C e foi o terceiro filósofo pré-socrático da Escola Jônica. Foi discípulo e contemporâneo de Anaximandro e escreveu uma obra intitulada “Peri Physeos” (Sobre a Natureza) da qual, hoje, restam apenas fragmentos. Algumas de suas principais fontes são Diógenes Laércio, Plínio e Hipólito. 

Tal como os outros pré-socráticos, propôs-se a encontrar um elemento que explicasse a natureza através de uma maneira sistemática, ordenada e racional, que se opusesse ao mito. Para Anaxímenes, o ar (chamado por ele de pneuma) seria esta substância primária, caracterizada por ser infinita e por envolver o cosmos, sendo a origem da qual todas as coisas se formam. A conclusão para está afirmação teria sido resultado de observações da natureza, durante as quais o filósofo percebeu e atentou-se aos fenômenos físicos de rarefação e condensação, que consistem em diferentes estados que o ar assume de acordo com o seu movimento. Essas alternâncias de estado são responsáveis por originais elementos naturais, tal como o fogo, as nuvens, o vento, a água, as pedras e outros: “Esse processo de condensação e rarefação é impelido pelo movimento contínuo do ar, que, de acordo com Anaxímenes, é um pré-requisito para qualquer tipo de mudança”. (GARVEY, STANGROOM, 2013, p.51).

 É importante esclarecer que rarefação e condensação são efeitos físicos que ocorrem com partículas naturais. No primeiro tipo de processo, o ar encontra-se sob baixa pressão, e é como se um fluxo de ar se espalhasse em uma grande área.  A condensação, por sua vez, é o efeito oposto, no qual o ar comprimi e as partículas se aproximam. Dessa forma, os diversos movimentos do ar gerariam todas as coisas: “O espírito humano é feito de ar vivo e pensante; o fogo seria uma espécie de ar extremamente rarefeito; condensando-se, o mesmo elemento torna-se água; solidificando-se, vira terra”. (2015, p. 34).
Anaxímenes, portanto, tal como outros pré-socráticos, distanciou-se por completo da noção de divindade e atribuiu ao ar a origem da natureza. Ele considerado um pensador monista, ou seja, considerava que somente um elemento fosse gerador de tudo o que há na natureza. Neste sentido, assemelha-se à seu antecessor Tales de Mileto e diferencia-se de filósofos pré-socráticos pluralistas, como Empédocles, por exemplo.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BOTELHO, João Francisco. A Odisseia da Filosofia, 2015. Editora: Abril.  
GARVEY. STANGROOM. A História da Filosofia, 2013. Editora: Octavo. 

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