CARTA A MENECEU – Epicuro:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

“(…) é preferível ser desafortunado e sábio do que afortunado e tolo (…)”

Epicuro nasceu na ilha de Samos em 341 a.C e faleceu em Atenas, por volta de 271/270 a.C. Foi fundador do Epicurismo e um dos principais expoentes fo período da filosofia helenística. Durante sua juventude, inicialmente estudou filosofia com Pânfilo  e depois com Nausífanes de Téos até que, em 306 a.C, em Atenas, fundou sua própria escola de Filosofia que se tornou conhecida como O Jardim. Neste local, Epicuro vivia ao lado de  seus seguidores, junto dos quais propagava e desenvolvia seu sistema filosófico cuja base era a aquisição da felicidade que poderia ser obtida por intermédio do prazer moderado (se você quer saber mais sobre o assunto, acesse: http://www.acervofilosofico.com/o-prazer-na-filosofia-de-epicuro/). Como consequência, sua ideia propagou-se pela Europa e surgiram inúmeras comunidades epicuristas. De todo o legado escrito pelo filósofo, restaram-nos apenas três cartas: uma endereçada à Heródoto, outra à Pítocles e outra a Meneceu, sendo esta última o foco do presente texto. 

Carta a Meneceu é um texto curto e simples cujo foco de abordagem é a felicidade. Devido à importância de seu conteúdo, tornou-se um clássico da filosofia ocidental, uma vez que nele constam as essências da ética epicurista que é comentada em dez tópicos que serão melhor analisados a seguir. Inicialmente, Epicuro faz breves constatações a respeito do estudo da Filosofia que é sempre positivo e de grande relevância para qualquer indivíduo, seja ele velho ou jovem, pois a filosofia é uma forma de nutrir a alma e de levar o homem a alcançar a felicidade e por essa razão, Epicuro incentiva e encoraja seus discípulos a cultivar e praticar os conceitos filosóficos que ele lhes ensina em sua doutrina. Na sequência, há comentários sobre as divindades, as quais não devem ser temidas e para com as quais não deve haver nenhum tipo de inquietação, pois os deuses não se preocupariam com os humanos estariam vivendo alheios ao nosso planeta, sem se preocupar em punir ou gratificar qualquer indivíduo. O texto segue com comentários a respeito da morte, que não deve ser motivo de temor, pois o homem é incapaz de experiência-la em vida, uma vez que quando ela chega, o homem já não é consciente, isto é, ele não tem capacidade de percebê-la. Conforme Epicuro escreve: “Quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos”, ou seja, não há encontro com a morte, isso seria contraditório. O quarto tópico sobre o qual o pensador discorre, é a respeito da sabedoria que consiste em viver o presente de maneira plena e intensa, sabendo aceitar o fato de fazer parte deste mundo do jeito que ele é.

Segue-se então com uma classificação sobre os desejos: há os que são naturais, os que são descartáveis (ou inúteis) e, dentre os primeiros, há os que são necessários (por exemplo: comer é um desejo natural e necessário, enquanto a prática do sexo é apenas natural, mas não necessária para que um ser humano sobreviva). Assim sendo, a escolha e compreensão correta do desejo, tende a distanciar o homem do medo e da dor, fazendo com que ele busque sempre a realização correta dos desejos e assim, alcance o estado de ataraxia (ou, tranquilidade espiritual). O tópico seguinte é referente ao prazer, que é caracterizado como o maior de todos os bens da vida e a fonte da máxima de felicidade. Note-se que aqui há uma estrita relação com item anterior, pois o prazer epicurista deve justamente ser apreendido na realização dos desejos mais simples, uma vez que quanto menor é sua sofisticação, mas fácil é de realizá-lo.

Sequencialmente, Epicuro comenta a respeito da simplicidade, que seria um componente essencial para a saúde espiritual, uma vez que quando nos adaptamos à obter satisfação com as coisas simples, é mais fácil que conquistemos a felicidade pelo simples fato de que é menos complicado de as obtermos e, naturalmente, se nos realizamos com as moderações, tendemos a nos frustrar menos, pois iremos exigir menos. No livro, há como exemplo o pão e a água, que são capazes de proporcionar uma satisfação grandiosa, uma vez que já são suficientes para eliminar a dor da falta (portanto, extinguir a fome e atender a um prazer necessário e natural). O oitavo item é focado na questão da prudência e da temperança, elementos que ajudam o homem a escolher e compreender quais são os tipos ideias de prazeres que devem ser buscados para obtenção da felicidade, pois o prazer epicurista não se trata de um deleite desenfreado, excessivo e que busca satisfazer quaisquer desejos provindos dos sentidos, mas sim um prazer caracterizado pela prudência. Por isso, nesta parte, o filósofo esclarece que sua ética não está se referindo a satisfações oriundas de banquetes contínuos, bebidas refinadas e obtenção de mulheres ou rapazes, mas sim de uma satisfação moderada, marcada pelo equilíbrio e jamais pelo excedente.

O nono tópico é uma retomada sobre alguns conceitos explorados anteriormente, os quais, conforme forem praticados, conduzirão à sabedoria. Tais conceitos são: a ausência do medo diante dos deuses, a indiferença perante a morte, o fato de que os males sempre tem um fim e o fato de que o bem supremo encontra-se nos prazeres mais simples e fáceis de serem obtidos. Por fim, há o décimo item, que é o mais curto de todos é a Meditação, trecho no qual Epicuro aconselha que sua filosofia seja constantemente refletida para que se atinja a imperturbabilidade da alma. 

 

* Acesse também nossos textos sobre EPICURISMO (http://www.acervofilosofico.com/o-prazer-na-filosofia-de-epicuro/) e FILOSOFIA HELENÍSTICA (http://www.acervofilosofico.com/cinismo-filosofia/).

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