DE BEATA VITA – SANTO AGOSTINHO:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

“De beata vita” ou “Sobre a Vida Feliz” é um diálogo escrito por Santo Agostinho, no qual o filósofo dedica-se a refletir acerca da felicidade. Abaixo, disponibilizo algumas observações e resumos de alguns dos aspectos do texto que considero como sendo os de maior relevância. 

“Possuir Deus é viver de maneira feliz”. (AGOSTINHO, p. 24, 2014).

Inicio minhas pontuações a partir do Capítulo 1, diálogo 1.6, no qual há uma introdução em que Agostinho esclarece que a discussão que se segue no decorrer do livro, aconteceu em seu aniversário, no dia 13 de novembro e contava com a participação das seguintes pessoas: Santa Mônica (mãe do filósofo), seu irmão, Navígio, seus dois discípulos Trigésio e Licêncio e seus primos Lastidiano e Rústico. 

Após a apresentação das personagens que compõe o livro, inicia-se a discussão, sempre guiada por Santo Agostinho. Na primeira reflexão entre os presentes e o filósofo, chega-se a primeira conclusão, que consiste no reconhecimento da existência do corpo e da alma. Essas substâncias de naturezas opostas compõe todos os seres humanos, sendo que ambas necessitam de um alimento próprio, e as duas são capazes de adoecer se não foram devidamente alimentadas. É constatado que o que alimenta a alma é a ciência e a inteligência das coisas, ou seja, a busca pelo conhecimento. 

Na sequência, Agostinho direciona o foco da conversa para a felicidade, partindo da seguinte premissa: somente pode ser feliz, o indivíduo que tem o quer. Entretanto, é feita uma observação: “Se a pessoa quer coisas boas as tem, então é feliz; mas se quer coisas más, muito embora as possua, então é miserável”. (AGOSTINHO, p. 17, 2014). O texto segue com certas meditações a respeito dessa afirmação e todos concorda que não adianta querer algo que não convém, sendo preferível não se alcançar o que se quer, do que alcançar a coisa errada. Assim, entende que o homem feliz é aquele que alcança aquilo que quer, mas esse “algo” que se busca deve ser permanente e independente da fortuna e do acaso, pois estes são periciados e mortais. Partindo disso, conclui-se que apenas Deus poderia ser a verdadeira fonte de felicidade, pois Ele é eterno e permanente e, por isso: “Possuir Deus é viver de maneira feliz”. (AGOSTINHO, p. 24, 2014). Agostinho ainda ressalta que o indivíduo que atinge a felicidade é sábio – o sábio é feliz; quem é feliz, tem sabedoria. 

Após essa primeira conclusão, seguem-se as reflexões e os presentes percebem que, na realidade, não basta simplesmente ter a Deus para ser feliz, mas é preciso tê-lo como propício. Além disso, há outros dois caminhos que podem ser tomados: o homem que o procura, sem encontrá-lo, não é plenamente feliz. E, em situação deplorável, está o tipo de pessoa que segue pela via do pecado e do vício, afastando-se de Deus e tornando-se, inevitavelmente infeliz. 

Depois de realizar tais observações, os personagens da narrativa analisam a questão da indigência que significa “miséria”, sendo que, mais pra frente, no texto, o filósofo esclarece que a miséria é o mesmo que a estultícia, cujos sentidos é a privação ou ausência de algo. Daí, concluí-se que tanto as pessoas indulgentes quanto o estultícias, serão consequentemente miseráveis e, está miséria é a carência da sabedoria. Por outro lado, encontram-se os indivíduos plenos, isto é, sábios, cuja característica é a moderação do espírito, a modéstia que os leva a evitar a demasia. É a justa medida que conduzirá o homem  à verdade suprema, sendo que Deus é a fonte na qual reside essa verdade suprema, sendo ele também, portanto, o caminho para a sabedoria e para a real felicidade.  

REFERÊNCIA: 

AGOSTINHO, Santo. Sobre a Vida Feliz, 2014. Editora: Vozes de Bolso. 

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