ENTREVISTA – Diego Collector:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

Diego Silva é graduado em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e mestrando em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora -MG. Possui interesse nas áreas de mitologias, religiões, culturas, futurismo e inteligência artificial. É membro da Humanity+, uma organização internacional que visa o avanço da ciência e tecnologia na humanidade.

 

   1. Diego, inicialmente, gostaria que nos contasse um pouco a respeito de seu projeto no YouTube. 

Primeiramente, é um prazer conceder esta entrevista ao Acervo. Já acompanho o conteúdo de vocês e é excelente. O canal “O Collector” no youtube nasceu de uma vontade de explicitar minha vivência. Sou “multitask” e gosto de atuar em várias áreas. Sou apaixonado por arte, em todas as suas formas e acho que é possível encontrarmos arte em tudo o que fazemos e vivemos. O canal é isto. Coletar informações sobre tudo que eu amo: Arte, Futurismo, Armas e Gadgets.

  2. Quando empregamos o termo “futurismo”, de que, exatamente,  estamos falando? Em que espaço/tempo se encontra esse “futuro”?

Diego Silva, criador e responsável pelo canal “O Collector”, bateu um papo com o Acervo Filosófico.

Eu creio que o futurismo é atemporal e contextual. Quando falamos de futurismo, devemos observar a relação tempo x espaço. Ora, para quem ler esta entrevista, o futuro já é a próxima palavra e o passado, a letra anterior. Claro que um contexto futurista envolve um pensamento voltado para algo que não temos em nossos dias ou simplesmente algo que prospectamos para um futuro próximo ou distante. O movimento futurista valoriza muito o desenvolvimento tecnológico, pois é através dele que a humanidade alcançará um novo patamar.

  3. O que você entende pela palavra “evolução”?

Do ponto de vista tecnológico, eu acredito que a evolução é constante e gradual. Claro que em determinadas épocas da humanidade, tivemos saltos gigantescos e processos evolutivos pontuais. A evolução deve ser entendida como uma constância, pois somente assim o desenvolvimento nunca parará.

  4. No canal, há um vídeo no qual você reflete sobre o Transumanismo. Essa corrente filosófica, assim como muitas outras, gera controvérsia. Em sua opinião, qual é a maior ameaça que ela pode oferecer ao ser humano?

O trans-humanismo atualmente é muito perseguido por religiosos e fundamentalistas que pensam que o a filosofia tras-humanista visa “brincar de ser Deus”. Vejo que um campo delicado dentro dos melhoramentos trans-humanos são os implantes neurais e chips cerebrais. Os que acompanham meu trabalho, sabem que falo muito de hackerismo e invasões de sistemas. Não existe sistema impenetrável ou blindado. Um melhoramento deste nível, se instalado no cérebro poderia ser “hackeado” ou invadido e tomado por sistemas ou pessoas má intencionadas. Parece ficção, mas é real.

 5. E quais seriam as principais vantagens que o Transumanismo pode disponibilizar? 

As pessoas costumam achar que o trans-humanismo está distante ou que é apenas fruto de ficção. Ele já está presente. REAL. Marca-passos, dentes de resina que não perecem, próteses, órgãos artificiais e quaisquer outros melhoramentos instalados no corpo humano. A filosofia trans-humanista busca estender a vida  quiçá acabar com o sofrimento da humanidade.

6. Há algum tipo de tecnologia que forneça à humanidade apenas resultados positivos, ou sempre há risco de falhas, ameaças e perigos, em geral? 

Acredito que toda moeda tem seus lados. Algumas moedas tem apenas os lados opostos. Outras tem o terceiro, que é o meio termo: o que separa as 2 faces. Acredito que no estágio atual da humanidade, nos encontramos neste 3º lado. Nossas decisões daqui para frente irão dizer qual lado escolheremos. O lado bom ou o lado ruim. A maneira como iremos aplicar as tecnologias, as escolhas bélicas, o que fabricaremos e onde colocaremos nossas forças. Fabricaremos dispositivos nucleares para guerras ou focaremos em soluções tecnológicas para a solução da fome mundial? ESCOLHAS…

7. O implante de chips em seres humanos já é uma realidade, ainda que seja algo discretamente divulgado. Como acha que será essa ação no futuro? 

Já é algo que permeia a nossa realidade. Atualmente, cientistas já testam chips implantados em pacientes,  para que os médicos possam ter um feedback em tempo real dos estágios das doenças. Cartões de crédito possuem chips, celulares possuem chips. Ao que me parece, num futuro não muito distante, a única diferença é que esses chips não serão implantados mais em pedaços de plástico, mas sim nos humanos. Não sei se sou a favor disto ou contra, apenas penso que será uma realidade aplicável.

Diego é graduado em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e mestrando em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora -MG.

8. Você considera que a tecnologia seja compatível com a natureza humana? Ou seja, será que ela realmente é necessária ao homem ou é apenas uma ilusão?

Existem vários tipos de tecnologias. Com o aumento da população e estruturas ao redor do planeta se faz necessário meios de aceleração e produção, como máquinas, processos tecnológicos etc.  Acredito que algumas intervenções tecnológicas são necessárias, outras nem tanto. O reflexo de uma grande quantidade de inovações tecnológicas na sociedade  trouxe uma série de consequências, tais como: imediatismo, ansiedades e projeções desnecessárias. É mais fácil descermos até o 1º andar da nossa casa para falarmos com um familiar ou simplesmente enviarmos uma mensagem via celular para ele?

9. Será que o ser humano não pode perder certos prazeres cotidianos com a excessiva intervenção tecnologia? Afinal, existe uma habitual satisfação em se conseguir alguma coisa com seu próprio empenho, esforço físico e/ou intelectual, que pode ser perdida já que há dispositivos, inteligências e redes para fazer isso em seu lugar. 

Sim. Existem uma série de distúrbios diagnosticados atualmente que são causados pelos novos dispositivos como realidade virtual, games, etc. Com tais dispositivos as pessoas podem construir o universo ideal, aquilo que sempre sonharam viver: Uma vida perfeita. Ao sair deste mundo e retornar para suas obrigações habituais, estas pessoas se percebem em um mundo não tão interessante quanto ao que construíram. Esse já é um problema real: Frustração com a  realidade.

10. Como você encara o relacionamento amoroso entre homem e máquina? Há algum limite para isso? Afinal, se apaixonar por uma máquina é se apaixonar por algo que não é humano… Ou elas já seriam humanas?

O filme “Her”,  retratou muito bem isto. Nele, o homem se apaixona pelo sistema operacional do seu computador. É complicado falar sobre limites, visto que todo limite é pessoal e intransferível. Em 2009 tivemos um caso de um japonês que se casou com uma personagem de um jogo simulador de namoros. Parece que  pode ser possível sim, um homem se apaixonar pela máquina. 

11. Atualmente existem pesquisas e práticas que visam, através da nanotecnologia, preservar a memória de uma pessoa. Mas será que preservar uma memória, gostos ou até mesmo a consciência de um indivíduo, significa, de fato, preservar o seu eu? Nesse caso, o devir parece se ausentar…

Este é um dilema muito mencionado no futurismo. A neurociência avança e com isto temos novas descobertas sobre o cérebro humano. Existe um projeto, chamado 2045, que visa criar uma cópia digital de qualquer um de nós. Um avatar que receberia nosso cérebro. Uma cópia exata de nossas emoções, pensamentos, memórias, background etc. Em outras palavras seríamos imortais. Muitos discutem até a questão da alma. OK. Faríamos um upload de um cérebro neste Avatar. Mas e a alma, caso ela exista, iria junto? Até que ponto isto é bom ou ruim, não sei dizer. Fato, é que cada dia mais vivemos em um mundo digitalizado. Celulares, computadores, inteligências artificiais, realidades virtuais… Somos parte destas realidades ou elas são parte de nós? 

12. Até que ponto um robô ou inteligência artificial podem ser “humanizar”? Qual é o limite dessa aproximação entre ambos?

Esta é outra questão polêmica. Há uma hipótese, chamada singularidade tecnológica, que sugere um crescimento desenfreado da inteligência artificial, a ponto de ultrapassar a inteligência humana. Nessa perspectiva seria possível que as máquinas pudessem ser consideradas humanizadas e capazes de tomar decisões. Ora, caímos em um dilema entre a máquina e seu criador. Se eu crio uma máquina que funciona somente ao apertar o botão vermelho, toda vez que eu aperto tal botão, eu controlo esta máquina ou sou controlado?

Conheça e inscreva-se no canal “O Collector“, no qual  Diego coleta informações, dicas e faz tudo para manter os espectadores sempre atualizados.

https://www.youtube.com/channel/UCAdrvZwaKlAB13u3lxlZ1hQ/about

 

 Category: ENTREVISTAS ESPECIAIS

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