FEDRO (parte 2):

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

Introdução: 

   Fedro, provavelmente escrito em torno de 370 a.C é um importante diálogo platônico entre os personagens Sócrates e Fedro. Ao longo da obra, Platão discorre sobre vários assuntos, tal como o amor, a natureza da alma, a metempsicose, a retórica e outros. Este texto tem como finalidade apresentar um resumo do livro e, para tal, foi feita uma separação dos principais tópicos abordados na obra, que se encontram aqui dispostos como: sobre o AMOR, sobre a ALMA, sobre a RETÓRICA e sobre a ESCRITA. Na primeira parte, foram expostos os dois primeiros tópicos, isto é, sobre o Amor e sobre a Alma, respectivamente. Nesta segunda parte, seguem resumos das abordagens sobre a Retórica e sobre a Escrita.

Sobre a RETÓRICA:

  A retórica é outro assunto abordado no texto. Sócrates a caracteriza como sendo a arte do discurso, que deve necessariamente estar ligada à verdade e cujo interlocutor deve possuir conhecimento sobre o que está expondo, pois se não o possuir, trata-se apenas de uma exposição de palavras opinativas. Somada a tais observações, o filósofo também esclarece que o discurso deve dirigir-se sempre à alma do receptor e que deve ter como objetivo a explicação da natureza daquilo que aborda, sendo que para tal, é preciso (conforme já citado) que se tenha completo domínio sobre o assunto. 

  A partir de tais observações sobre a retórica, Sócrates começa a analisar novamente as palavras de Lísias (referentes à reflexão sobre o amor, apresentadas no início do livro) que, aos poucos, são relidas por Fedro, e então, faz o seguinte comentário conclusivo: “Ele certamente não parece, em absoluto, realizar o que exigimos, visto que sequer começa do princípio, impondo ao seu discurso que de costas corrente acima a partir de seu fim, começando por dizer as palavras que o amante Síria a título de desfecho ao seu querido (…)”. (p.91, 2012). O filósofo complementa sua observação crítica dizendo que Lísias teria dito qualquer coisa que lhe veio à mente, sem nenhuma intenção específica.

  Outro aspecto importante que permeia pelo contexto geral desta parte do livro, é uma crítica de cunho negativo feita aos sofistas, que são apresentados como oradores persuasivos, jocosos, que apenas buscam convencer multidões através de suas palavras, sem oferecer espaço para ensino e questionamento, e cujo saber estava ligado, não necessariamente à verdade, mas ao que apenas fosse similar à verdade diante da multidão, sendo que o conhecimento da verdade não resulta da persuasão. 

Esta imagem é parte da tela Escola de Atenas (1509-1511), pintada por , Rafael Sanzino (1483-1520) e retratada Platão segurando o Timeo.

Sobre a ESCRITA: 

  Sócrates, após a meditação feita a respeito da retórica, compartilha com Fedro uma história que escutou em Naucratis: Toth (dividira-se egípcia que simboliza a sabedoria e conhecimento, inventor da escrita, da geometria e do cálculo), certa vez, dirigiu-se ao rei Tamos para apresentar suas invenções, alegando que as mesmas deveriam ser distribuídas entre os egípcios. Na medida em que mostrava suas criações, algumas eram elogiadas e outras censuradas. Ao apresentar as letras, disse à Tamos: “Isto, ó rei, uma vez apreendido tornará os egípcios mais sábios e aprimorará suas memórias: trata-se de uma poção para a memória e a sabedoria por mim descoberta”. (p.117, 2012). 

  Tamos, porém, respondeu que essa invenção poderia ser prejudicial, pois iria causar esquecimento na mente das pessoas, pois elas iriam deixar de praticar suas memórias, uma vez que as letras somente serviriam para evocá-las, representando, dessa forma, apenas uma aparência de sabedoria, mas não a verdadeira sabedoria: “A confiança que passarão a depositar na escrita, produzida por esses caracteres externos que não fazem parte deles próprios, os desestimulará quanto ao uso de sua própria memória lhes é interior”. (p.117, 2012). 

   A partir deste relato, Sócrates comenta que a escrita apenas serve para lembrar aqueles que possuem conhecimento do objeto que foi escrito, e considera que a forma de escrita ideal é a aquela que é realizada pela pessoa que conhece e domina o tema sobre o qual escreve (note-se que, nestas menções, há uma visível semelhança para com a essência que define o que Sócrates compreende como sendo a verdadeira arte da retórica). Neste ponto, novamente, o filósofo faz comparações entre o indivíduo que verdadeiramente possui o dom da escrita, e os sofistas, que não possuiriam conhecimentos compromissados com a verdade, não seriam nobres, seriam vergonhosos e apenas teriam como finalidade convencer a multidão.

   Em contrapartida, afirma que o discurso verdadeiro é proferido por quem conhece a verdade acerca daquilo que diz ou escreve, sendo capaz de definir as coisas separadamente até torná-las indivisíveis. Além disso, o interlocutor deve conhecer a natureza da alma para que seja capaz de ajustar seu discurso às particularidades do indivíduo para quem se discursa, sabendo assim, produzir frases simples ou complexas, conforme a necessidade e/ou ocasião.  

Considerações finais: 

  Fedro é uma obra vasta em assuntos, sendo fundamental para o estudo do pensamento de Platão. Sua relevância se dá, especialmente pela quantidade de temáticas expostas, que oferecerem ao leitor uma aproximação de diversas faces da filosofia platônica.

REFERÊNCIA: 

PLATÃO, Fedro. Editora: Edipro, 2012. 

 

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