FUTURISMO e TECNOLOGIA:

By Acervo Filosófico

  Por: Juliana Vannucchi

  Colaboração: Diego Silva – Collector

Diariamente, ao redor do mundo, o uso da tecnologia no cotidiano do ser humano aumenta de alguma forma, e a interação entre homem e máquina, consequentemente, torna-se cada vez mais estreita. Um dos inúmeros efeitos produzidos por esse fato, são as diversificadas reflexões de cunho ético que de desdobram a fim de investigar e propor os potenciais e rumos da relação entre a humanidade e a tecnologia. Nesse âmbito, são feitas perguntas de grande importância, como, por exemplo: “Existem limites no relacionamento entre um ser humano e um robô?”/”Quais tipos de Leis devem/podem ser criadas para o uso de inteligências artificiais?”/Uma máquina pode se transformar numa ameaça social, econômica e psicológica?”, etc. Essas discussões caminham para vários lados e, naturalmente, divergem-se uma das outras. Assim sendo, devido a tal amplitude, este texto não visa penetrar a fundo em aspectos morais, embora talvez sejam mencionados em algumas linhas. O que desejamos através deste conteúdo, é conscientizar o leitor (ou lembrá-lo) do quão intensa é a inserção do mundo virtual e tecnológico na vida do homem, e quais são as possíveis perspectivas e consequências futuras para essa conexão. Dessa forma, o presente texto pretende atuar como um verdadeiro convite à reflexões sobre os inúmeros aspectos que tangem a tecnologia, e sua intenção, de maneira geral, é fornecer informações que devem ser filtradas, avaliadas, desconstruídas e criticadas para que haja conscientização sobre ideias “futurísticas” que, na realidade, já estão se fazendo bastante presentes em nossos cotidianos.

Quando nos atentamos mais constantemente às novidades e informações sobre o assunto, podemos perceber que muitas coisas que nos pareciam inimagináveis, já fazem parte do contexto da vida de muitas pessoas. Em Dubai, por exemplo, há um robô policial (obviamente com certas limitações, embora tenha funções notavelmente úteis) trabalhando em determinados estabelecimentos. Enquanto isso, em Cingapura, uma empresa chamada “nuTonomy” criou veículos autônomos, capazes de circulas pelas ruas sem motoristas no volante. Na Nova Zelândia e em Santo André, já foram feitos testes para que drones entreguem pizzas. Talvez ainda mais incrível do que tudo isso, seja o fato de que, conforme o cientista Raymond Kurzweil relatou no documentário “Quanto Tempo o Tempo Tem?” já existem até mesmo pâncreas computadorizados que são inseridos dentro do corpo humano para substituir o órgão natural.

Enfim, por hora, chega de exemplos. Ao longo desse texto, compartilharemos outros dados interessantes, mas, por hora, o que gostaríamos de ressaltar novamente nesta introdução, é o convite para que o leitor embarque conosco numa reflexão crítica a partir do exame do conteúdo que iremos compartilhar. 

TRANSUMANISMO – O uso da tecnologia no organismo humano a fim de melhorar suas condições biológicas:

Historicamente, podemos dizer que o Transumanismo começou a ser fundamentado durante os primeiros anos da década de vinte, por um geneticista britânico. A partir desse período, vários outros pesquisadores, estudiosos e pensadores debruçaram-se em reflexões e abordagens a respeito do assunto e dentre tais, encontra-se o renomado biólogo, palestrante e escritor londrino Julian Huxley, que contribuiu e popularizou o assunto em meios científicos e acadêmicos, a partir de um artigo por ele publicado. Já durante a década de 60, Max More, que até é hoje em dos maiores expoentes dessa filosofia, elaborou seus princípios e por isso é considerado o fundador do Transumanismo. Nos dias de hoje, com o notável crescimento da tecnologia em variados setores e aspectos, as reflexões e indagações a respeito do assunto ampliam-se cada vez mais intensamente. Mas afinal é em que consiste o Transumanismo? Esse termo pode ser definido como um movimento teórico e prático que propõe o uso da tecnologia (tal como a neurotecnologia, nanotecnologia e biotecnologia) para expansão das capacidades naturais do corpo humano, em diversos aspectos, como melhoramentos físicos, intelectuais e psicológicos. Essa intervenção tecnológica cujos fins visam, de alguma maneira, transformar as condições biológicas naturais, abrem margem para inúmeras discussões éticas, uma vez que, embora seja uma ação capaz de oferecer inúmeras vantagens, é igualmente moldada por riscos e incertezas e atualmente, existe bastante controvérsia a respeito do assunto.

Por intermédio do Transumanismo, é possível atingir um estado chamado de “pós-humano”, que representa a ultrapassagem dos limites naturais da condição humana, que engloba, por exemplo, o ato de retardar o envelhecimento (e assim, digamos, afastar a morte) e investir na saúde física e mental, visando fortificá-las e melhorá-las. É com base nisso que no documentário “Quanto Tempo o Tempo Tem”, a transumanista Natasha Vita-more fala que o movimento visa “orientar nossa própria evolução através da tecnologia”. No mesmo documentário, Max More ressalta que essa filosofia almeja “melhorar aquilo que a natureza nos dá, uma vez que faz parte da nossa natureza mudar as coisas do mundo”. E complementa (com ousadia): “As Ideias centrais são realmente questionar os limites humanos”.

O Transumanismo já saiu do campo teórico e migrou para a prática: em meados de 2016, o site de notícias BBC divulgou uma matéria sobre Lepht Anonym, jovem escocesa adepta da filosofia transumanista que implantou mais de 50 chips em seu corpo. De acordo com a europeia, conforme citado pelo site acima referido: “O transumanismo é, basicamente, a filosofia que afirma que podemos e deveríamos melhorar a qualidade da vida humana usando a tecnologia”. Seguindo esse raciocínio e buscando tais melhorias, realizou pequenas cirurgias junto a uma amiga que na época do início dos procedimentos, cursava medicina. Dentre os feitos, a jovem colocou ímãs nas pontas dos dedos a fim de melhorar a sensibilidade local, e também implantou um chip numa de suas mãos visando realizar pagamentos sem que seja necessário o uso de cartões. 

No vídeo abaixo, Diego Silva, do canal O Collector, faz comentários e reflexões a respeito do Transumanismo.

 

ROBÔS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL:

Robôs e I.A são temas clássicos do cinema e da literatura. Incontáveis filmes e livros, durante muitos anos, se inspiraram nestes assuntos. Mas, como muitos leitores já devem ter percebido, esses objetos de inspiração artística já ultrapassaram as fronteiras da ficção para o mundo real. Atualmente, o investimento de pesquisas para desenvolvimento de robôs e inteligência artificial é grande e, aos poucos e cada vez mais intensamente, essas máquinas torna-se parte do cotidiano humano.

     A relação amorosa entre seres humanos e robôs já é uma realidade.

Antes de tudo, é válido mencionarmos que há uma diferença no significado dos termos “robôs” e “inteligência artificial”. O primeiro, em suma, é um dispositivo funcional, programado para tarefas determinadas, enquanto o segundo, por sua vez, consiste no estudo, pesquisa e prática de criação de agentes inteligentes cujo mecanismo se assemelhe ao cérebro humano (ou, talvez, até mesmo supere), portanto, seriam máquinas inteligentes. Na introdução deste texto, mencionamos que, ao redor do mundo, já existem policias robôs, drones que entregam pizza e veículos que se movimentam sozinhos, sem intervenção de motoristas humanos. Geralmente, essas informações já são de nos deixar boquiabertos. Porém, a realidade da relação entre homem e máquina está além dos exemplos fornecidos. No Japão, por exemplo, algo bastante comum é a aquisição de cães robôs (chamados de “aibos”) que teriam efeitos terapêuticos para seus “donos”. Os japoneses acreditam que esses objetos possuem alma e, muito certamente essa crença coopera para geração do afeto entre ser humano e cães robôs. Certamente é muito mais prático se relacionar com um cão que pode ser desligado a qualquer momento, ou que não faz nenhum tipo de barulho  excessivo e tampouco sujeira, além, é claro, de não exigir grandes  despesas (ou nenhuma).

Mas é evidente que podemos (e devemos) questionar essa ideia de máquinas com almas (que é cultural e certamente não absoluta), na medida em que vemos os aidos substituindo cachorros naturais. Até que ponto a neutralização de supostas desvantagens é uma vantagem para o ser humano? Aparentemente, não há dificuldades para que surjam sentimentos afetivos entre o homem e a máquina, pois, além do aidos, outro fato bastante intrigante são os relacionamentos amorosos com robôs e inteligências artificiais. Exemplos não faltam: em 2017, um engenheiro japonês casou-se com uma mulher-robô, chamada Yingying que ele próprio criou e fez até mesmo uma cerimônia para comemorar a união. Ainda no Japão, um dos investimentos que rendeu comentários é o desenvolvimento de uma inteligência artificial chamada “Gatebox Virtual Girlfriend”, que é uma espécie de figura humana diminuta e holográfica, presa dentro um suporte e que possui capacidade de interagir com seus compradores através de áudio e programações, podendo, dessa forma, estabelecer um relacionamento com os mesmos. Há também o caso de uma jovem francesa chamada Lilly, que se denomina como sendo uma “robosexual orgulhosa” e que se apaixonou e assumiu um relacionamento com uma máquina chamada InMoovetor. Ela espera que, em breve, a França legalize o casamento entre robôs e seres humanos para poder, de uma vez por todas, oficializar sua união com o namorado. Além de todos esses exemplos que mostram a possibilidade das relações amorosas e afetivas entre ser humano e máquinas, recentemente, no início de 2018, vários portais informativos do Brasil, divulgaram notícias a respeito dos robôs sexuais, criados pela Realbotix especialmente para servir e satisfazer desejos de cunho sexual. A empresa responsável trabalha na área há vinte anos e já havia criado máquinas com corpos e traços femininos, chamadas de Harmony. A novidade, é que agora foram produzidos robôs masculinos com pênis biônicos.

A relação amorosa entre robôs e seres humanos é muito mais ampla do que os poucos exemplos apresentamos acima. Esse tema tornou-se o foco de pesquisas de David Levy, que há alguns anos atrás lançou um livro intitulado “Love And Sex With Robots”, no qual apresenta seus estudos e perspectivas sobre o assunto. O autor acredita que em menos de 50 anos, seres humanos e máquinas irão casar-se frequentemente e de forma legalizada. Levy também assegura que as relações sexuais com os robôs serão mais prazerosas do que com seres humanos. Provavelmente, estabelecer uma relação com uma máquina é mais simples do que se relacionar com um ser humano, pois os robôs ou I.A, assim como os aibos, não tendem a apresentar quaisquer tipo de defeitos. Entretanto, há inúmeros questionamentos que podem ser levantados nesse aspecto. Será que o ser humano, não necessita da falha, do erro e da imperfeição? Afinal, este mundo, por si só, desde sempre costumou ser insatisfatório em certos sentidos, ou seja, talvez, a imperfeição seja uma parte fundamental da existência. Não dá para sabermos ao certo (ao que me parece, ao menos não sem a experiência) se a superação de limites orgânicos e aprimoramentos gerais podem substituir e satisfazer um indivíduo – é até provável que satisfaça, mas será que não seria apenas de maneira parcial? Ou seria uma satisfação plena? Podemos considerar que nutrir uma relação com uma I.A é buscar idealização… Creio que Nietzsche, certamente, não iria compactuar com essa ideia, uma vez que, de certa forma, ela implica na supressão do real, em favor da construção do ideal.

Com o passar do tempo, este robô adquire maior conhecimento do perfil do dono e, assim, tende a obter uma relação cada vez mais íntima e útil.

  Enfim, tal como há incontáveis críticas negativas e reflexões que problematizam a relação entre homem e máquina, também é importante ressaltar o quanto esses mecanismos podem facilitar e cooperar com simples tarefas cotidianas, fatos esses, que os tornam bastante atraentes. Há algumas peças desse tipo que, inclusive, não custam muito caro. Um dos humanoides bem populares no mercado é o Zembo, que custa $599 e é capaz de se movimenta sozinho por vários ambientes, podendo também realizar pesquisas na internet e fotografar. Além disso, ele se conecta como inúmeros itens domésticos (aparelhos de televisão, máquinas de lavar, etc). Há também o Aido, cujo preço é de aproximadamente $549. Também é um robô doméstico, com acesso à internet, reconhecimento facial, capacidade de fotografar e controlar certas funções digitais de uma casa. Outro exemplo interessante é o Tapia, que possui como principal característica a alta capacidade armazenar informações e comunicação sobre seu dono, fato que o permite sofisticar seu relacionamento e companheirismo com os humanos.

Outro fato curioso sobre o Tapia, é que com o passar do tempo, este robô adquire maior conhecimento do perfil do dono e, assim, tende a obter uma relação cada vez mais íntima e útil. Além desses exemplos sobre o uso vantajoso de robôs no auxílio em tarefas cotidianas, outros tipos de tecnologia podem ser bastante benéficos. Recentemente, no início de 2018, a BBC divulgou uma matéria que mostra o uso de Inteligência Artificial como um mecanismo para diagnóstico precoce de doenças graves. Abaixo, você confere um vídeo que apresenta as diversas funções do robô Tapia.

Somada a todas as menções acima, considero válido citar aqui a famosa Sophie, que parece ser o mais avançado robô portador de inteligência artificial já criado por mãos humanas (ou então, um dos mais). Suas propriedades são fascinantes: ela reconhece rostos, é capaz de expressar emoções, interage com outras pessoas, conta piadas, dá entrevistas, e já recebeu, inclusive, título de cidadania na Arábia Saudita – note-se, tendo sido pioneira neste feito. Está constantemente estampando capas de meios de comunicação e, cada vez mais, ganha popularidade ao redor do mundo. Será que, em breve, os robôs domésticos não serão substituídos por formas mais sofisticadas como Sophie? Particularmente, pelo que tudo indica, acredito que sim.

REALIDADE VIRTUAL:

Essa tecnologia é um componente que já faz parte do dia-a-dia de muitas pessoas, uma vez que existem óculos de realidade virtual vendidos por valores bem acessíveis e podem ser conectados em celulares, possibilitando experiências incríveis. Mas o que algumas pessoas não sabem é que esses objetos possuem usos que se encontram muito além de simples conexões com aplicativos de aparelhos móveis. Um acontecimento curioso que envolve esse aparelho foi uma ação desenvolvida pela Intel em parceria com o site Razões Para Acreditar, na qual ambos visitaram pessoas idosas, colheram depoimentos de tais indivíduos e, posteriormente, com base em descrições de sonhos e lembranças dos mesmos, presentearam-nos com marcantes experiências virtuais possibilitadas pelos óculos, ou seja, os idosos puderam, de alguma forma, viver novamente momentos dos quais jamais se esqueceram, ou realizar algo que sempre almejaram e não conseguiram concretizar. O resultado dessa ação foi emocionante e, acredite, é honesto, pois esses óculos, especialmente os mais sofisticados e de 360°, permitem vivências realmente impressionantes que parecem nos desligar completamente do mundo físico na medida em que nos inserem em universos computadorizados. Somado a este exemplo, há casos de escolas (inclusive no Brasil), treinamentos militares, construtoras e hospitais que estão usando essa tecnologia como um suporte favorável em suas atividades. Em certas clínicas médicas, por exemplo, as vacinas são aplicadas em crianças enquanto estas colocam óculos que lhes apresentam desenhos animados. Assim, os pequenos se distraem com as animações e deixam a insegurança de lado.

As vantagens do uso dos R.Vs são imensas e o dispositivo coopera positivamente em várias circunstâncias. Para sondarmos melhor algumas questões referentes ao aparelho, compartilho abaixo alguns trechos do texto “Realidade Virtual”, publicado aqui no Acervo Filosófico em meados de 2016, e de autoria do professor e palestrante Paulo Pedroso. Vejamos alguns valiosos comentários que nosso colaborador fez e a partir dos quais teceremos reflexões:

A fuga da realidade e a divisão entre o físico e o racional já foram temas de inúmeros filósofos, mas o século XXI traz uma nova perspectiva sobre essa nova realidade e ainda não conhecemos todo o seu potencial. De início pode parecer que esses óculos de realidade virtual sirvam apenas para entretenimento, para fazerem com que seus usuários sintam-se dentro de um filme ou de um jogo. Mas o potencial para entretenimento é muito grande, já é algo conhecido e com certeza será ainda mais explorado.

Além disso, o potencial econômico também é óbvio e inegável. Novas tecnologias geram novos produtos e novos produtos, por sua vez, geram novas demandas e novos consumidores… Mas até onde poderá chegar essa  realidade virtual, como ela vai influenciar a sociedade, a educação, como viverá a nova geração mergulhada na realidade virtual em contraste com a velha geração relutante contra mudar de realidade?

A realidade virtual apresenta inúmeras possibilidades ainda desconhecidas, ou ainda não viáveis, mas os primeiros passos já estão sendo dados. Na medicina, um cirurgião nos Estados Unidos pode colocar um óculos de realidade virtual para operar uma pessoa no Brasil. Parece ótimo não? Mas e se, além disso, o óculos mostrar onde está o problema do paciente e como resolvê-lo? Essa poderia ser uma maneira dessa nova tecnologia ganhar adeptos entre os mais conservadores. Ou: seu carro está com o barulho estranho, coloque o óculos, abra o capô, o óculos te mostrará onde está a falha e como resolvê-la. Se você precisar de peças, ele te indica onde tem estoque e talvez seja possível ainda, que você possa pedir para um drone levar as ferramentas até você… Drone guiado por um piloto profissional de drones, que também está com um óculos de realidade virtual. Estas são hipóteses básicas, então, sugiro que você pare e pense em todas as outras possibilidades, e se isto lhe parece filme de ficção científica futurista, apena olhe ao seu redor. Você sabe como funcionam Uber, Netflix e Spotify? Sabe o que é armazenamento nuvem e transmissão por streaming? Pois é, a virtualidade está presente no seu cotidiano e talvez você nem tenha notado.

O último parágrafo escrito por Paulo Pedroso é especialmente intrigante. Se o objeto tecnológico em questão, de certa forma, é capaz de guiar e interferir numa cirurgia médica ou, então, ajudar um mecânico a encontrar falhas em um automóvel, facilitando assim algumas etapas profissionais, não seria possível que o ser humano, gradualmente, conforme utilizasse os óculos, tendesse a se distanciar ou até mesmo esquecer certos raciocínios habituais, conhecimentos e aprendizados? Se toda vez (ou em grande parte das vezes) que um médico está atendendo um paciente, uma realidade virtual detecta a doença dessa pessoa e indica qual é o medicamento mais apropriado para ela, será que o médico, aos poucos, não esquece aquilo que aprendeu e estudou? Afinal, na medida em que o profissional cria dependência da máquina, consequentemente, utiliza cada vez menos seu próprio raciocínio. Acredito que seja válido nos atentarmos a questões como essa para que possamos traçar os limites entre a praticidade oferecida pela tecnologia e seu domínio sobre a humanidade. Se durante repetidos anos, uma máquina de café prepara a bebida sozinha, certamente tenderemos a esquecer qual é a medida adequada de pó e água que precisaríamos utilizar se quiséssemos prepará-la sozinhos. Esse exemplo do café não parece tão grave quanto o do médico, mas com certeza tem grande valor, já que propõe o esquecimento das coisas mais básicas de nosso dia-a-dia. Penso que seja necessário haver cautela para que, no futuro, o mundo físico não seja completamente substituído pelo mundo virtual, pois mundo embora está última dimensão carregue suas vantagens, certamente essa transição traria desvantagens ao homem. O excesso de dependência de um indivíduo para com qualquer tipo de objeto pode ser prejudicial, especialmente quando se torna um vício, isto é, uma dependência. Atualmente, já existem pessoas que desenvolvem fobias por ficarem sem celulares ou acesso às redes sociais e isso ocorre porque elas possuem, claramente, vícios nesses utensílios, uma vez que deixam de controlar seus usos e são por eles controladas. Eis aquilo que, aparentemente, é a verdadeira ameaça: o próprio ser humano e o sentido que ele atribui ao mundo, não a máquina, em si.  

INTERNET DAS COISAS:

A internet das coisas é uma operação tecnológica fascinante! Ela permite que objetos físicos sejam interligados com redes e, dessa maneira, haja uma interação funcional entre ambos. Assim, torna-se possível, por exemplo, programar a atividade de certos aparelhos domésticos através de sensores eletrônicos: conectar eletrodomésticos e assim, programá-los à distância, tudo por smartphones. Ou, então, é possível conectar os aparelhos com lâmpadas, ligando-as e controlando suas intensidades, e enfim, há inúmeras outras ações que tendem a maravilhar e impactar qualquer um! Repare que há um avanço notável por parte da internet das coisas: não se trata mais apenas de uma comunicação entre dispositivos móveis, essa fronteira foi ultrapassada e surgiu uma conexão entre dispositivos móveis e outros objetos cotidianos (como, por exemplo, vestimentas, portas, geladeiras, fogões, carros, etc). Essa tecnologia é incrível e serve para facilitar o cotidiano e pode ajudar pessoas cuja rotina é turbulenta, a conseguir recuperar um pouco de seus tempos. 

Porém, é claro que essa nova realidade que está se moldando e se popularizando cada vez mais é encantadora. Entretanto, como já era de se esperar, há bastante debate e controvérsia sobre o assunto e a maior parte deles gira em torna de questões de segurança, uma vez a hiperconexão por redes de internet pode ser infestada por vírus comprometedores. Ao que parece, esse problema ainda não foi completamente resolvido e tem sido o grande obstáculo para maior desenvolvimento da internet das coisas. É claro que essa questão é delicada, pois se um vírus já é capaz de causar problemas sérios em um celular ou computador, imagine o tamanho do estrago do transtorno que não pode gerar ao invadir, danificar ou acessar uma rede que está ligada com objetos residenciais? Um invasor poderia ter acesso a um veículo,  abrir digitalmente o portão de uma casa, roubar informações e ter acesso às suas privacidades. São ameaças sérias e, obviamente, é necessário que haja segurança para que haja desenvolvimento e disseminação dessa forma de tecnologia, pois se não houver, talvez suas vantagens não sejam muito convincente.

DICAS DE FILME:   

Ela (2013):

Esse longa-metragem expõe como tema central, a paixão entre um homem e uma personagem pertencente a um sistema operacional. Como nosso texto fez menção ao relacionamento amoroso entre homem e máquina, acho que esse filme é bem adequado para quem se interessou pelo referido tópico. Em termos técnicos, é um excelente filme, que conquistou inúmeros prêmios, incluindo um Oscar na categoria de Melhor Roteiro.

A.I. Inteligência Artificial (2001):

Um dos clássicos mais amados da vasta filmografia de Steven Spielberg, com diversas indicações ao Oscar. O roteiro gira em torno da convivência entre seres humanos e robôs, mostrando a relação entre ambos em um futuro em que o estado natural do planeta é completamente diferente do que conhecemos em nosso mundo atual. É um filme cativante e muito bem conduzido, vale a pena conferir!

Metropolis (1927):

Um dos mais primorosos filmes de todos os tempos, sendo um grande marco do cinema mudo e um dos exemplares do Expressionismo Alemão. Seu desfecho gira em torno de um ambiente futurístico, que se passa em 2026, no qual há uma cidade grande chamada Metropolis que abriga uma vasta quantidade de máquinas fazendo parte do cotidiano da humanidade. O filme, de certa forma, previu os rumos que as grandes cidades tomariam e, inclusive, explora a desigualdade social. 

Ex-Machina (2015):

O enredo deste longa-metragem gira em torno de dois personagens que se aventuram a interagir, cada vez mais intimamente, com máquinas de Inteligência Artificial. Entretanto, o relacionamento dos dois, tanto entre si, quanto para com as máquinas, toma rumos cada vez mais conturbados e intrigantes. O que realmente compensa neste filme é, especialmente, as possibilidades que ele apresenta em relação à autonomia da IA, e suas consequências.

*Outros títulos:

Ghost In The Shell (2017);

Blade Runner: O Caçador de Androides (1982);

O Homem Bicentenário (1999);

DICAS DE SÉRIE:

Black Mirror (2015):

Uma série britânica de ficção científica criada em 2015 e que, atualmente, está na quarta temporada. Os episódios são simplesmente arrebatadores, e todos são construídos em torno de um mesmo pano de fundo: a tecnologia e suas trágicas consequências. É um seriado criativo em termos de conteúdo e assinalado por valiosas propostas reflexivas. Encontra-se disponível na Netflix.

The Jetsons (1962-1963/EUA):

Essa série de animação foi produzida no início dos anos 60 nos EUA e, conforme foi sendo vinculada em outros países, conquistou enorme popularidade. Os episódios se desdobram num ambiente no qual a humanidade encontra-se num patamar evolutivo muito distante do que moldava o mundo no período em que a animação foi produzida. Há vários elementos interessantes que fazem parte desse contexto, tal como robôs, veículos voadores, cidades suspensas e vários outros. Todas essas e outras características foram muito impressionantes na época em que o The Jetsons conquistou adeptos, e atualmente, grande parte desses recursos já fazem parte do nosso mundo.

Altered Carbon (2018):

Uma das novidades positivas que a Netflix ofereceu logo no início de 2018. É uma série de ficção científica pautada numa temática futurista. Em suma, o desfecho de Altered Carbon se desenrola num período temporal no qual o ser humano conquista algo que a maioria das pessoas sempre almejou: a imortalidade. A partir dessa premissa, o espectador encontra uma trama envolvente e fascinante. 

DICAS DE MÚSICA:

Kraftwerk:

Um dos grupos musicais mais geniais e elegantes de todo o mundo. Foram pioneiros da música eletrônica e um dos principais representantes do Krautrock. Criaram uma estética sonora e visual inovadora e diferenciada, que é especialmente caracterizada por ideias futurísticas. O conteúdo de suas letras aborda temas como máquinas, computadores, relacionamentos virtuais, robôs, radioatividade e vários outros assuntos que, certamente, interessarão aos leitores que desfrutaram este texto de nosso site.  

Devo:

Uma das bandas mais excêntricas dos anos 80, o Devo compôs músicas que instrumentalmente eram bastante peculiares, contendo aspectos técnicos bastante diversificados como experimentalismos e minimalismos. Esse perfil sonoro arquitetou para as músicas uma aura de ficção científica mesclada com surrealismo. Um ponto intrigante em relação à banda e que acho digno de destaque, é o conceito teórico de “de-volução”, que fez parte de alguns dos seus trabalhos musicais e segundo o qual, o ser humano atingiu um grau tão alto de evolução que, como consequência, o fez, gradualmente, começar a “de-voluir”… 

DICA DE CANAL NO YOUTUBE:

O Collector:

Com mais de quarenta mil inscritos, O Collector é um espaço do YouTube adequado para quem gosta de ficar por dentro de novidades, dicas e informações gerais sobre tecnologia. A edição dos vídeos possui um profissionalismo diferenciado, contando com efeitos visuais e sonoros muito bem empregados. Além disso, Diego Collector, o produtor de conteúdos e responsável pelo canal, garante sempre uma postura crítica e questionadora sobre o material que divulga, além de demonstrar imenso conhecimento a respeito das temáticas apresentadas. Vale a pena se inscrever e acompanhar!

https://www.youtube.com/channel/UCAdrvZwaKlAB13u3lxlZ1hQ

Gabriel Pato:

Gabriel Lima, responsável pelo canal “Gabriel Pato”, é especialista em segurança da informação, e compartilha seus conhecimentos e experiências no YouTube. Os temas por ele expostos são muito interessantes, e são apresentados de maneira bem esclarecedora, tornando o canal muito agradável.

https://www.youtube.com/channel/UC70YG2WHVxlOJRng4v-CIFQ/videos

Peixe Babel:

Neste canal, encontram-se inúmeros vídeos sobre robótica e tecnologias, todos dispondo de informações valiosas, notícias a respeito de tais assuntos, e reflexões complementares que asseguram imensa qualidade ao conteúdo divulgado. Os vídeos são muito bem elaborados e editados, e o Peixe Babel é um espaço muito completo para que se interessa por tecnologia.

https://www.youtube.com/user/CanalPeixeBabel

REFERÊNCIAS:

http://casavogue.globo.com/Design/noticia/2016/12/8-coisas-que-estarao-conectadas-na-sua-proxima-casa.html?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compartilharMobile

http://exame.abril.com.br/tecnologia/robo-da-ibm-substitui-34-funcionarios-de-empresa-no-japao/

http://conteudo.startse.com.br/mundo/lucas-bicudo/60-dos-jovens-estao-aprendendo-profissoes-que-vao-deixar-de-existir/

http://www.dw.com/pt/rob%C3%B4s-s%C3%A3o-usados-como-recepcionistas-em-hotel-no-jap%C3%A3o/av-19456135

http://extra.globo.com/noticias/carros-e-motos/primeiro-taxi-sem-motorista-do-mundo-ja-circula-em-cingapura-20000172.html

http://oglobo.globo.com/economia/negocios/na-nova-zelandia-nada-de-motoboy-drones-vao-entregar-pizzas-19995265

http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/olimpiada/noticia/2016/08/o-que-o-japao-esta-preparando-para-a-olimpiada-de-2020-7302165.html#

http://www.dw.com/pt/cachorro-rob%C3%B4-%C3%A9-moda-no-jap%C3%A3o/av-19394691

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2017/06/16/inteligencia-artificial-esta-a-um-passo-de-substituir-humanos-robo-diz-que-isso-e-bom.htm

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/tecnologia/2017/11/01/interna_tecnologia,638012/sony-apresenta-versao-mais-avancada-de-seu-cao-robo.shtml

http://www.istoesuperinteressante.com/?p=7485

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/casamento_entre_humanos_e_robos__uma_entrevista_com_david_levy.html

https://www.youtube.com/watch?v=qGEo8ozXVd

http://www.bbc.com/portuguese/geral-42537252        

https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/sophia-o-primeiro-robo-do-mundo-receber-um-titulo-de-cidadania-21996085

https://www.youtube.com/watch?v=lUgr7hgagUA –

https://catracalivre.com.br/geral/inusitado/indicacao/voce-ja-ouviu-falar-do-robo-sexual-realista-com-penis-bionico/

https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/canaltech/os-robos-sexuais-masculinos-com-penis-funcionais-e-ia-estao-chegando,7dbbb2a60f364706ad6234cfc125bb0016dfr30x.html

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