MATRIX e o MITO DA CAVERNA:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi e Alessandro Olivieri

O que é real? Como você define o ‘real’? Se você está falando sobre o que você pode sentir, o que você pode cheirar, o que você pode saborear e ver, o real são simplesmente sinais elétricos interpretados pelo seu cérebro”.
(Morpheus).

Matrix é um filme de grande sucesso, lançado em 1998 e que, muito constantemente é associado com temas da Filosofia e também de outras áreas do saber, tal como Sociologia ou Psicologia, além de inspirar a produção de diversos livros, palestras, documentários e outras atividades. Neste texto, traçamos associações reflexivas sobre as relações existentes entre Matrix e o Mito da Caverna (presente no Livro VII, da obra A República), texto escrito por Platão, que consiste num diálogo entre Sócrates, Adimanto e Glauco.  

 A narrativa de Matrix se desenvolve a partir de um protagonista chamado Neo que, em determinado momento de sua vida, atravessa um processo de desconstrução daquilo que, até então, pensava ser a realidade. O personagem, frequentemente possuía uma intuição de que algo em sua vida estava errado e, por vezes, tinha a impressão de estar sonhando. Essa sensação não era fantasia e passa a fazer sentido, pois Neo percebe que os fenômenos cotidianos com os quais estava habituado a viver, eram na verdade somente uma manifestação projetada de uma verdade que, até então, se mantinha velada para ele e para todo o mundo. 

“O que é Matrix? Infelizmente não é possível explicar o que é Matrix, é preciso que veja você mesmo. Como todo mundo, você nasceu em uma prisão que não pode ver, nem tocar, uma prisão para a sua mente. Matrix está por toda parte, é o mundo que acredita ser real, para que não se perceba a verdade, Matrix é controle e enquanto existir a raça humana jamais será livre”.

  Da mesma maneira como no filme, a alegoria da caverna conta a história de um de indivíduos presos em uma caverna e nela observavam sombras do mundo, e nunca entendiam que aquelas sombras, eram apenas ilusões da realidade que estava fora da caverna. Um desses indivíduos consegue se libertar e sair da  caverna, encontra a luz e o mundo de verdade, então percebe o que tinha acontecido, as pessoas presas, não viam mais do que ilusões e sombras, não entendiam que de fora daquela caverna estava a realidade daquelas sombras, então o que faz é voltar e contar para seus companheiros o que vivenciou e, num primeiro momento acham estranho e zombam, depois o agridem, e posteriormente o matam.

Você precisa entender, a maioria destas pessoas não está preparada para despertar. E muitas delas estão tão inertes, tão desesperadamente dependentes do sistema, que irão lutar para protegê-lo.”- Morpheus.

  Assim como ocorre na alegoria platônica, Neo rompe com as “correntes” que o prendiam na ilusão e, dessa forma, escapa da Matrix, deixando de participar da mentira que até então lhe havia sido postulada e rotulada como sendo a verdade. O personagem se torna livre e passa a ser capaz de observar o mundo real sob novas óticas e evidenciar a verdade que até então se encontrava velada numa ilusão.

  Uma observação interessante é que na cena em Neo acorda fora da Matrix (isto é, da ilusão), sente um incômodo ao abrir seus olhos. No texto de Platão, isso também acontece quando o prisioneiro chega ao ambiente externo. Ao sair da caverna, a “luz da verdade” fere seus olhos e ele demora um pouco para se acostumar com ela. Outra semelhança que pode ser observada entre o diálogo escrito por Platão e o filme, é que quando o prisioneiro que se libertou tenta contar aos outros sobre sua descoberta, eles não acreditam em seu relato, pois são manipulados de tal forma que supõe que sejam livres. Neo se encontra numa situação similar, pois Morpheus (o personagem que guia o protagonista para fora da Matrix) diz a ele que não é possível contar sobre a Matrix para alguém, é preciso que a pessoa a veja por si mesmo para que perceba sua existência.

Enfim, tanto o Mito da Caverna quanto Matrix oferecem inúmeras possibilidades reflexivas e nos levam a pensar sobre as prováveis ilusões cotidianas com as quais podemos estar convivendo. Será que somos capazes de escapar deste mundo de ilusões e buscarmos uma verdade? Podemos sair da caverna ou somos programados para continuarmos acorrentados? 

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