MENTE e REALIDADE:

By Acervo Filosófico

 Por: Paulo Pedroso e Juliana Vannucchi

Sua mente é uma realidade? A realidade está em sua mente? A realidade existe fora de sua mente? Sua mente existe independentemente da realidade? As perguntas não se esgotam… Mas… Quais são as possíveis respostas para as indagações acima?

Neste exato momento, você está lendo este texto. Pode ser que várias outras pessoas estejam fazendo a mesma coisa neste mesmo momento. Tanto você quanto elas, estão acessando o mesmo conteúdo e tendo contato com as mesmas informações. Porém, pense e considere que há uma possibilidade imensa de que cada um desses indivíduos possa interpretar o texto de uma maneira diferente, apesar de se tratar de um único e mesmo material informativo. Alguns leitores podem entendê-lo com facilidade, outros, podem ter dificuldade e alguns, pode ser que não compreendam nada. Isso pode acontecer por diversos motivos: diferença da idade dos leitores, divergências culturais, alternados conhecimentos sobre a Filosofia e outros aspectos.

Assim, trata-se de um único objeto (texto), sendo assimilado de maneira distinta (variadas interpretações). Temos, portanto, no exemplo fornecido, várias consciências, captando uma única realidade de maneira variada e, a partir dessa interação, formando para si uma nova face de realidade subjetiva. Contudo, se na hora de escrever este texto, eu atribui um significado específico para ele, então, pode-se dizer que há uma mensagem específica no mesmo e, de certa forma, uma realidade objetiva, embora ela seja plausível que ser interpretada de maneira particular pelos leitores. É, pois possível que exista uma realidade objetiva e subjetiva simultaneamente? Será que sempre, necessariamente e de maneira absoluta, em qualquer situação e caso, nós somos capazes de conhecer as coisas tal como elas são? Se não somos, então, de certa forma, já estamos vivendo dentro de enganos ou ilusões. Aliás, “engano” é algo que faz parte da mente e da realidade cotidiana (de várias maneiras). É possível perceber o quanto a realidade externa, muitas vezes não é  exatamente o que parece ser, e o quanto nos iludimos habitualmente quanto a ela, através de exemplos fornecidos pela própria Ciência, conforme relata Paulo Henrique Rodrigues, estudante de Química da UFSCAR (Sorocaba), que comenta sobre a impossibilidade de dois corpos se tocarem: “Nem mesmo o abraço mais forte entre amigos seria capaz de tocar totalmente dois corpos. Isso acontece, pois profundamente nos átomos que compõem as células de nossos corpos, estão grandes “vazios” os separando. A força de toque que sentimos é na verdade a repulsão entre as partículas a uma distancia ínfima. Os sensores do nosso corpo leem essa repulsão como um “toque”. É como se aproximássemos dois ímãs com a mesma carga, nós vemos que estão “empurrando” um ao outro mesmo sem se tocarem”. Geralmente, ao abraçar alguém, criamos uma experiência particular e a crença de que existiu uma troca de afeto através do toque corporal. Porém, esse toque é ilusório e, cientificamente, corresponde somente à uma repulsão entre partículas.

Tudo indica que, de alguma maneira, o ser humano vive num mundo particular (ainda que haja uma realidade exterior e que ele a conheça parcialmente). Aliás, não se trata somente de o ser humano viver em um mundo particular. Se pararmos para pensar, ao nosso redor, há inúmeras partículas, sons e provavelmente, até mesmo seres vivos que não são existentes para a nossa realidade momentaneamente e tampouco para a nossa mente. Ainda assim, estão lá, vivendo suas próprias realidades, por vezes, independente das nossas, dentro das condições de suas próprias mentes, sendo que parte desses organismos pode, inclusive, captar odores e sons que a sua realidade não percebe (por mera limitação dos seus sentidos) e que, portanto, são inexistentes em sua dimensão do real. Um exemplo disso é que o ser humano percebe sons apenas em 20 Hz a 20.000 Hz enquanto cães, entre 15 Hz e 100.000 kHz. Seres vivos de diferentes espécies podem estar ocupando um mesmo ambiente e jamais ter contato um com o outro, sem que suas “realidades” jamais se encontrem. De certa forma, sempre haverá, portanto, uma diferença notável (por vezes, pequena, por vezes, imensa) na realidade dos variados animais que habitam o mesmo planeta e, inclusive, os mesmos ambientes.

Ao longo da história da Filosofia, diferentes pensadores, escreveram inúmeras reflexões a respeito das possibilidades do conhecimento, tentando compreender os aspectos envolvidos na relação entre sujeito (aquele que conhece) e objeto (aquilo que é conhecido pelo sujeito). Nesse contexto, os filósofos buscavam responder questões como: o que é o conhecimento, qual é sua origem, o que é possível conhecer, até que ponto é possível conhecer e outras questões (esse campo de estudo da Filosofia é chamado de Gnosiologia ou Teoria do Conhecimento). Assim, surgiram inúmeras correntes de pensamento que refletiram, problematizaram e conceitualizaram sobre as relações entre a mente e a realidade.

Por outro lado, além dessas buscas filosóficas, encontra-se a Ciência que, embora costume criticar o dogmatismo religioso, também vive seu próprio dogmatismo (assim como a política e tantas outras áreas o vivem). Muitos indivíduos desse meio “se fecham” em suas realidades e qualquer cientista que tente testar novas hipóteses que sejam contrárias à linha atual de pensamento, tende a ser ridicularizado e costuma ter sua pesquisa cortada/negada em termos acadêmicos. Em linha oposta a tal situação, há a Psicologia, que analisa a realidade como sendo subjetiva: a sua realidade só existe enquanto vivenciada por você, o que não quer dizer que o resto do mundo não exista, ele apenas se encontra em modo virtual (isto é, aquele que tem potência de ser). O mundo é uma soma de realidades subjetivas que devem coexistir em harmonia (embora, às vezes, isso não aconteça), obedecendo a um padrão de conhecimento objetivo (Ciências), como por exemplo, a Lei da Gravidade.

A interpretação individual da realidade e de um texto como esse, parte da subjetividade de cada um, é um embate entre correntes filosóficas, indagações provocantes já foram feitas diversas vezes, como “se uma árvore cai no meio de um floresta, sem ninguém por perto… Ela faz barulho? Ela realmente caiu? Ela existe antes que alguém a encontre caída? Ou, pensemos em outra situação: Suponhamos que, durante uma caminhada qualquer em uma praia qualquer, um indivíduo deixe, imperceptivelmente, um anel cair de seu dedo. O objeto, então, enterra-se na areia e ali permanece por um longo período de tempo. Soterrado, ninguém o vê durante décadas e décadas. Todos, na margem, acima do anel enterrado, vivem seus cotidianos normalmente, sem nem ao menos supor que lá há um anel. Um dia, novamente por acaso, um garotinho, enquanto cavava a areia em busca de uma concha, encontra o objeto. Neste caso, o anel passa a existir para um sujeito. Até então, poderíamos dizer que tal anel não era real, ainda que estivesse ali durante o tempo? Conforme Berkeley, “ser é ser percebido”? Ou certas coisas existem, ainda que, mesmo próximas de nós, não sejam captadas por nossos sentidos?

O conhecimento científico ainda busca definições para tais realidades, mas a filosofia, por sua vez, evita definições e prefere abrir diálogos e reflexões críticas a respeito do tema, para que possamos cada vez mais adicionar novas perspectivas à nossa realidade e fazer um esforço de empatia em direção a todas as realidades diversas que partiram da subjetiva de outrem. Este texto é de cunho reflexivo, e foi elaborado para convidar os eleitores e desconstruírem suas concepções, crenças e certezas, e/ou a se permitirem vivenciar novas reflexões. Entretanto, o tema que abordamos aqui, é bastante complexo e se estende pela Filosofia, pelas diversas formas de Ciência (Física Quântica, Química, Psicologia, etc), podendo até ser explicado/explorado por algumas Religiões. Dessa forma, há inúmeros cientistas, descobertas, teorias, hipóteses, justificativas e estudos realizados acerca de “Mente e Realidade”, e que podem ser estudos e considerados caso haja necessidade/desejo de aprofundamento. De qualquer forma, esperamos que este aperitivo possa ter te instigado a demolir aquilo que, até então, você acreditava ser a única e verdadeira forma de realidade. Afinal, certamente ainda há dificuldade em se responder perguntas do tipo: “qual é natureza da mente”? e “qual é natureza da realidade”?

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 Category: FILOSOFEI

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