MORAL DOS SENHORES E MORAL DOS ESCRAVOS:

By Acervo Filosófico

Por: Alessandro Olivieri

Em outro texto postado anteriormente em nosso site, no qual foi explorado o conceito de Vontade nos pensamentos de Schopenhauer e Nietzsche, abordamos como tópico principal, a questão da luta inevitável que compõe o mundo e mostramos que o homem, como parte deste cenário, inevitavelmente também faz parte desta habitual luta. Dentro de tal contexto, todo ser humano encontra-se em constante disputa e por mais que tente escondê-la, ela está sempre presente, uma vez que tudo no mundo almeja por mais poder. Cada parte dos homens irá se expressar de uma maneira diferente e haverá uma parte vencedora e outra perdedora, sendo que a parte vitoriosa da batalha se expressa de maneira afirmativa, afirmando seu poder no mundo, enquanto que, por outro lado, a perdedora se expressa de maneira negativa, negando que o outro coloque seu poder no mundo.

Feita as ressalvas acima, daremos continuidade a outro assunto relevante na filosofia de Nietzsche, expondo este novo tema de maneira introdutória. Adentremos, então, no tópico de hoje: O que é a moral dos senhores e dos escravos? Precisamos ir por  partes: Quem são os senhores para nosso filósofo? Entenda-se que a moral dos senhores consiste na moral que afirma a vida na vida, moral, portanto, que pertence aos superiores que por serem mais fortes subjugam os inferiores, então passam a criar valores, emitir valores sobre a vida e a se impor sobre os subjugados. Nietzsche admirava e menciona em sua obra os Aristocratas, porque eles seriam exemplos de criadores de valor, de amantes da guerra, da ação, eles eram os nobres, pois estes reconheciam no mundo o valor da vida. Eram os que podiam externalizar seus instintos da maneira que quisessem porque estes é que eram os vencedores.

E agora, discorramos sobre outro aspecto, com base na seguinte pergunta: E quem são os escravos?  São os perdedores da luta do mundo, os homens que não podem externalizar suas vontades, os sacerdotes, a casta inferior ao mundo da vida:

            ”Quando não há mais remédio senão elevar a razão à condição de tirano, como fez Sócrates, o perigo de que outra coisa nos tiranize não deve ser pequeno. Ante esse outro perigo a razão aparece como liberadora. Nem Sócrates nem seus doentes gozavam da liberdade de ser ou não racionais; isso lhes foi forçoso, era seu último remédio. O fanatismo com a reflexão grega na sua totalidade se arroja aos braços da razão, denuncia uma grande angústia; existia um perigo e restava somente esta alternativa: ou sucumbir ou ser absurdamente racional.”- (Crepúsculo dos ídolos- O Problema Sócrates).

Quando os perdedores se veem sem saída, surge a casta sacerdotal, a casta de hábitos interiores que é hostil à ação e à guerra, pois são os perdedores delas. A negação da expressão dos instintos faz com que nasçam os “monstros da moral”.

Nietzsche considera que foi que essa referida casta inferior que tomou e impôs o poder moral. E como isso ocorreu? Segunda o filósofo alemão, se no mundo da vida eles não possuíam poder, então a solução encontrada foi colocar o valor da vida fora da vida, em um mundo imaterial, ou seja, voltado para o ”nada”, que é que Nietzsche denomina como “Ideais Ascéticos”.

Estas abordagens não são um assunto simples e de fácil explicação e trata-se de um conceito que merece ser estudo com mais profundidade (indicamos algumas obras para aprofundamento, tal como “Crepúsculo dos Ídolos”, “Para Além do Bem e do Mal” e “Genealogia da Moral”). Entretanto, o importante é que, em relação aos senhores e escravos, você entenda: aquilo que era virtude virou vício, e o que era vício vira virtude, sendo que isso aconteceu quando os fracos (isto é, escravos) tomaram o poder moral. Assim, os guerreiros vão lutar nesse mundo do ”nada” quase que de maneira obrigatória.

Então, compreenda-se que, em suma, a diferença central existente entre a moral nobre e a moral escrava, é onde está o valor da vida, porque para os nobres, este valor encontra-se justamente na própria vida, sendo que para os escravos, está fora da vida. E por mais que os escravos tenham tomado o poder moral, não se tornaram fortes, pois estão sempre obrigados a manter o estado de negação da vida para sobreviver. A negação do mundo da vida é uma estratégia dos fracos, pois sabem que no mundo da vida seriam esmagados pelos fortes. Quando a moral escrava faz a revolução, vence a vontade de vingança, a vontade do nada, a vitória do Cristianismo que é a vitória do ressentimento, do pecado, da vitória da morte contra a vida, do deslocamento da vida para o nada.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

NIETZSCHE, Friedrich. O Crepúsculo dos Ídolos. Editora: Vozes de Bolso. 2014.

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