MÚSICO BRASILEIRO LEVA FILOSOFIA PARA SUAS COMPOSIÇÕES:

By Acervo Filosófico

por Juliana Vannucchi

Dennis Monteiro nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1983. Filho único, sua mãe sempre foi comerciante e passava o dia fora, e o pai era administrador hospitalar e estava constantemente viajando, vendo o filho somente em alguns finais de semana. A família era pequena e Dennis perdeu os avós maternos e paternos ainda cedo.

Ele sempre gostou de ficar sozinho e conforme comentou: “Talvez eu seja meio introspectivo pelo tempo que passei sozinho na infância, porque minha mãe só me deixava brincar na rua aos sábados e sempre fui de poucos amigos“.

Após se formar no colégio, Dennis cursou Rádio e TV na Universidade Anhembi Morumbi, obtendo seu diploma em 2006. Por volta de 2010, trabalhou em um sebo no bairro de Santa Cecília, na região central de São Paulo. Após passar um período em tal emprego, o garoto pediu demissão.  Na despedida, o chefe lhe deu um livro de capa dura, que consistia numa edição de 1976 de “A Idade da Razão” de Sartre, renomado filósofo francês. “Levei pra casa e deixei lá… passaram uns meses e num dia depois de uma rebordosa violenta que tive resolvi ler o Sartre, conhecia sua biografia e algo sobre o existencialismo, Camus, Simone… mas era o básico… Depois de “Idade da Razão” eu me encantei…“, contou Dennis. Posteriormente, o músico enfrentou uma fase turbulenta em sua vida marcada pelo uso excessivo de drogas e bebidas. Visando romper com esse caminho, decidiu entrar para a faculdade de Filosofia, e apaixonou-se de vez por esse universo.

Mas outro universo também cativou Dennis desde muito cedo: a música. “Eu comecei a tocar órgão e teclado com oito anos e violão com 14“, contou. Atualmente, ele participa de duas bandas: Segundo Inverno e Days Are Nights. Compõe letras e é vocalista dos dois grupos.  Na primeira, canta, toca guitarra e monta as programações eletrônicas. Na segunda, ele e o outro membro (Brunno) fazem de tudo, revezando nos instrumentos (baixo, guitarra, teclado e bateria eletrônica). Toca também na banda Maldaz e possui um projeto chamado “As Cinzas do Tempo” que lançou em 2008. “Esse projeto foi um “one man band” em que gravei guitarra, baixo e bateria. A única apresentação do “As Cinzas do Tempo” foi no festival Woodgothic (evento que ocorre periodicamente em São Tomé das Letras), na edição de 2011”.

O meio musical foi um caminho para que o paulistano pudesse se expressar e levar um pouco da Filosofia para suas ouvintes. “Eu acho que sempre tive essa “onda” meio existencialista, eu estou quase sempre usando primeira pessoa nas letras… mas acho que é natural, sempre escrevi assim“. De fato, a primeira pessoa é notável em suas letras, tal como intensa reflexão: “Sonhei com Korine, com Kafka, com Luther King. Sonhei, mas todo sonho chega ao fim. Desconstruir, desvencilhar, despir, desvincular, desarmar, desprender, libertar, esvaziar, descaracterizar”, canta Dennis na música “Metafísica”, do Segundo Inverno. Outras letras do compositor (a maioria) seguem possuindo cunho filosófico. Mas Dennis contou que não havia pretensão de falar sobre o assunto de maneira específica, embora isso tenha acontecido pelas influências que ele tem de suas leituras e do curso da faculdade. Em outra canção da banda Days Are Nights, é possível perceber a influência de Sartre. Intitulada “Fumei com Sartre no jardim”, a música diz: “Mas ele parecia meio chateado, coisa de existencialista, meio encanado. Aí eu disse: “Te entendo, às vezes também me sinto assim”. E não para por aí! A filosofia existencialista se faz presente em uma música intitulada “Quem matou Vladimir Herzog?”, que também possui cunho político, e na qual Dennis medita sobre nosso papel e condição no mundo. EE em seu outro grupo, o Segundo Inverno, as reflexões continuam: “Vai viver e morrer. “Todos os dias”, afirma o trecho de uma letra que induz o ouvinte a pensar sobre o que é, de fato significa “viver” e “morrer”, além do sentido regular e vulgar que temos sobre estes termos. O músico disse não saber ao certo o quanto a filosofia faz parte do cotidiano dos outros membros da banda: “O Renato, do Segundo Inverno, trabalhou a vida toda com loja de discos e sebo, e por conta disso já leu muita coisa e conhece muitos livros. O baixista da Maldaz estuda Artes acho que de certa forma eles se interessam”.

Atualmente, Dennis está explorando um livro introdutório à filosofia do Karl Jaspers, além de estar to lendo o “ABC do Ocultismo”, de Papus. Para 2016, os trabalhos do jovem músico prometem novidades: “Esse ano o Segundo Inverno vai lançar um álbum novo, pretendemos lançar algo em vinil também… já estamos gravando coisas novas. Em 2016 o Days Are Nights celebra dez anos e pretendemos lançar um material comemorativo! E tem a Maldaz, que é a banda que tenho na pegada Punk Reggae… gravamos umas coisas e estamos querendo tocar por ai”.

O trabalho de Dennis foge de padrões e está além do senso comum. A sonoridade das bandas das quais ele participa, possui influência do Pós-Punk. Suas letras provêm de pensamentos e sentimentos profundos, que o músico transforma em arte. As inspirações, em grande parte, surgem a partir de temas legados através da história da filosofia. Portanto, aos amantes do saber e aos amantes da música, vale muito a pena embarcar na produção do jovem.

 Category: MÚSICA e FILOSOFIA

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