O PROBLEMA DO MAL – Santo Agostinho:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

A “Questão do Mal” ou “Problema do Mal” é um tema amplamente discutido na história da Filosofia, especialmente na Filosofia da Religião, e que foi abordado por inúmeros pensadores ao longo da história, principalmente durante a Idade Média, período que, na Filosofia, caracterizou-se (entre outros aspectos) por uma tentativa de conciliar fé e razão. Santo Agostinho, um dos grandes nomes dessa época, foi um dos filósofos que refletiu sobre o Problema do Mal e esforçou-se em respondê-lo. O tema é abordado no Livro VII de Confissões, uma de suas principais obras, e este texto fornece um resumo dos principais tópicos deste mencionado Livro. Porém, antes de adentrarmos nos comentários sobre o mesmo, faremos algumas observações e esclarecimentos sobre o que é o Problema do Mal: quando afirmamos que Deus é o criador do mundo e que fez todas as coisas que existem, consequentemente, pensamos que ele é também o autor do mal. Mas, evidentemente, há um problema neste raciocínio, pois como pode um ser perfeito, benevolente, onipotente e onipresente ter criado algo mal? É em torno desta questão que se desenvolve este texto e o Livro VII de Santo Agostinho, sobre o qual vamos falar.

Este texto se baseia no, Agostinho logo expõe seus sentimentos conflitantes em relação ao Problema do Mal . O filósofo desabafa, afirmando que tal problema gera para ele indagações inquietantes e pensamentos sufocantes. Porém, esclarece que, apesar de seu tormento, tem fé, acredita em Jesus Cristo e nas escrituras sagradas da Igreja Católica. O livro segue com reflexões que buscam compreender qual seria a causa e a origem do mal. Se Deus é criador de todas as coisas e de todos os seres que existem, consequentemente, há de ser também o autor do mal. Contudo, é exatamente neste ponto que o problema que perseguia Santo Agostinho: sendo Deus, por definição, um ser plenamente bom, onipotente e onipresente e perfeito, então como é possível que o mal exista?  O filósofo indaga: “Qual é a sua origem (isto é, do mal), se Deus, que é bom, fez todas as coisas boas?” (p.133, 1973). Agostinho propõe que Deus fez as coisas deste mundo a partir da matéria, e que nela estava contido o mal. Mas essa possibilidade ainda gera perguntas e não satisfaz Agostinho, que observa que se Deus é onipotente, ele poderia ter interferido nessa natureza má da matéria e modificado-a. Explora a também a possibilidade que o Diabo que, conforme a tradição Católica, antes de tornar-se tal criatura, era um ajo, foi quem semeou o mal no mundo e no ser humano. Mas aqui também surge um problema: “Se foi o demônio que me criou, donde é que veio ele? E se, por uma decisão da sua vontade perversa, se transformou de anjo bom em demônio, qual é a origem daquela vontade má com que mudou em diabo, tendo criado anjo perfeito por um Criador tão bom?” (p. 131-132, 1973).

A obra segue e Santo Agostinho continua compartilhando seus desabafos, suas dúvidas e mencionando o Problema do Mal que tanto o assola. Por fim, ele chega a uma conclusão: Deus criou todas as substâncias que existem, mas o mal não é uma substância, logo, não é criação de Deus. Em outras palavras, para tentar esclarecer melhor: Deus criou todas as coisas que existem e não há substância que não tenha criado. Assim, não criou o mal, pois o mal não é uma substância. Neste contexto, Agostinho define a maldade como “uma perversão da vontade derivada da substância suprema” (ou seja, de Deus) e, assim, voltando-se para coisas baixas (isto é, para o mal).  A solução acima fornecida por Agostinho, se baseia numa conclusão lógica que ele estabelece a partir de considerações sobre o que considera como sendo Deus, substância, bem e mal. Lembre-se que há mais alternativas para este problema, que não foi alvo de reflexão apenas de Santo Agostinho.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Abril, 1973. (Os Pensadores).

 

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