O PROBLEMA DOS UNIVERSAIS:

By Acervo Filosófico

Por Juliana Vannucchi e Paulo Pedroso

  Este texto pretende transmitir as principais ideias de um tema que foi discutido por muitos pensadores ao longo da história da Filosofia. Assim, considerando o fato de que a questão dos universais foi objeto de reflexão das obras de muitos filósofos cujos posicionamentos divergem, iremos transmitir apenas algumas bases referentes aos aspectos gerais desta temática. Este texto, portanto, é apenas uma introdução e caso o leitor deseje aprofundar-se no assunto, sugerimos a busca por livros específicos de determinados pensadores, sendo que entre os principais nomes que abordaram a questão dos universais em suas obras, encontram-se: Boécio, Abelardo, Platão, Aristóteles, Porfírio, Guilherme de Ockham, Tomás de Aquino, Roscelino e Guilherme de Champeaux.

  Os universais podem ser compreendidos como ideias gerais formuladas a partir de traços em comum que se encontram em determinadas coisas. Eles existem para classificar objetos e criar conceitos. Por exemplo: quando pensamos que Juliana e Paulo são partes da espécie humana, concebemos a ideia de “humanidade” (conceito pautado em uma essência comum) que irá encontrar-se presente naqueles que possuam as mesmas características de Juliana e Paulo.

  O problema que surge em torno da ideia dos universais pode, simplificadamente, ser colocado da seguinte forma: eles seriam apenas nomes ou coisas que realmente existem, de maneira independente? Esta pergunta implica que, ou os universais possuem existência real e são comuns para todos os indivíduos ou consistem apenas em objetos pensados. Neste sentido, ao longo da história da Filosofia, surgiu um embate entre duas possibilidades que se propunham a responder o problema dos universais: Realismo e Nominalismo. A primeira delas propõe que as coisas existem no exterior, independentemente do pensamento. O termo “Nominalismo” (do latim, “nomen”) foi criado por Roscelin de Compiègne. Essa linha de pensamento sugere que “os universais não são mais do que o significado dos nomes (…)”. (p.30, 2001). Conforme Abelardo propôs de maneira bem resumida e esclarecedora: ou os universais são coisas ou são palavras

  Exploremos a problemática através de exemplos: temos os universais, humanidade e cavalidade, e temos os particulares humano e cavalo, sendo que neste último caso, trata-se de “UM cavalo” e não de “O cavalo”. A mente tende a criar a imagem ideal de cavalo, isto é, ela formula “o cavalo”. Porém, para alguns filósofos, cada subjetividade cria sua imagem de cavalo ideal e o universal consiste apenas em um nome e não existe de fato. Por outro lado, para outros pensadores, o universal se trata de um conhecimento comum a todos.

  Seguindo com o exemplo acima, consideremos que após ver mais de UM cavalo particular, a partir do contato (seja ele real, virtual, imagético, etc) com dois ou mais cavalos se abstrai o conceito universal de cavalo. Entretanto, não se pode tomar a parte como todo e o todo como parte, isto é: todos os cavalos pertencem ao universal cavalo, mas nenhum cavalo individual representa o ideal de cavalo. De todos os cavalos contingentes apenas temos a certeza sobre sua essência, sua “cavalidade” e todas as demais características são acidentais, sendo que, acidentais, nesse contexto, representa qualquer característica particular que foge à essência.  Em termos mais simples, podemos pensar que o problema seria “a regra” (o geral) e “a exceção” (o particular), mas não é possível tratar como regra uma exceção, ou seja, não se pode tratar como essência um acidente. Por exemplo, se digo ou penso: “esse cavalo é branco”, disto não posso afirmar que cavalos (todos) são brancos, pois a cor branca é um acidente que não representa a essência cavalidade, pois nem todos os cavalos são brancos.

   Em outras palavras, o impasse acima apresentado, pode ser colocado da seguinte maneira: existe uma “cavidade” do cavalo? Ou uma “gatitude” do gato? Ou seja, o problema desta pergunta consiste em saber se todos os gatos e cavalos possuem em si, propriedades substanciais comuns que nos permitem conceituá-los. O que em um cavalo me permite dizer que este é um cavalo e não uma zebra? O que de palpável me indica que este cavalo apresenta uma essência (cavalidade)? Tais propriedades são conceituáveis ou apenas passíveis de abstração?

Notemos que tanto o realismo quanto o nominalismo não fornecem respostas definitivas para a indagação que tange os universais, e estas mencionadas correntes filosóficas apenas servem como base para outras teorias gnosiológicas. Ressalte-se que, ao contrário das ciências, que trabalham e buscam conhecimento estático, a filosofia vive da reflexão, do questionamento e, portanto, do conhecimento dinâmico, móvel.  Logo, é comum terminar um texto com perguntas que conduzam à novas reflexões… Seria necessário conhecer a essência ou apenas identificá-la? Se não houvesse os universais, como categorizar os particulares? Os acidentes que diferenciam os particulares do ideal, não seriam a essência do individual? Os universais e os particulares são divisões feitas pela filosofia para facilitar o estudo dos mesmos, a categorização não visa um congelamento do conhecimento, apenas bases das quais pode se lançar novas teorias, seja as afirmando ou as negando.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
LEITE, Pedro JR. O Problema dos Universais, ANO 2001 Editora: Edipucrs

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