PITÁGORAS DE SAMOS:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

Você sabe ou já se perguntou como surgiu palavra “filosofia”? Sua origem costuma ser atribuída a Pitágoras. Conta-se, que, certa vez, ele fora abordado pelo príncipe Leonte, que lhe perguntou qual seria a natureza de sua sabedoria e, obtive a seguinte resposta para tal indagação: “Sou somente um filósofo” (do grego “philo” – amor/amigo e “sophia” – sabedoria), isto é, um “amante/amigo da sabedoria”. Ele também teria sido o primeiro a empregar a palavra “matemática” (do grego, Mathematik).

   Dentre os diversos filósofos pré-socráticos que marcaram a história da Filosofia Ocidental, Pitágoras de Samos (c. 570-490 a.C) foi um dos que mais se destacou, e até os dias atuais, continua sendo frequentemente estudado, não apenas na filosofia, mas também na matemática e, até mesmo, em ordens iniciáticas e/ou ocultistas.

   Primeiramente, antes de explorarmos seus legados, é importante fazermos uma ressalva fundamental: o filósofo em questão não registrou seus pensamentos, apenas os transmitiu oralmente aos seus seguidores e, portanto, aquilo que se conhece a respeito de sua vida e sobre seus pensamentos não advém de textos autorais e isso gera certa dificuldade em construir, entender, estudar e definir quem realmente foi Pitágoras. Dentre suas principais fontes, encontram-se: Xenofânes, Heráclito, Porfírio, Jâmblico, Diógenes Laércio, Empédocles, Platão e Aristóteles.

  Agora, sigamos com alguns aspectos históricos e biográficos, para que, na sequência, possamos apresentar um pouco do que sabemos a respeito do pensamento deste brilhante filósofo. Pitágoras nasceu em Samos (uma ilha localizada na costa jônica), mas abandonou o local quando o tirano Policrates o ocupou, em 535 a.C. Após deixar sua terra natal, partiu para uma série de viagens que durariam cerca de 30 anos, passando por diferentes países  e tendo adquirido grandes conhecimentos (especialmente espirituais) durante essa jornada. De acordo com o livro Pitágoras (escrito por Ward Rutherford), esteve no Egito e lá teria sido iniciado nos mistérios Eleusianos e também teria conhecido os mistérios de Ísis. A mesma fonte (e também algumas outras) mencionam uma visita do filósofo a outros lugares, tal como a Babilônia, onde teria conhecido um mago, e também a Pérsia, país no qual teve contato com o Zoroastrismo, religião essencialmente monoteísta e dualista fundada por Zoroastro e na Índia, país em que conheceu o Hinduísmo. Além de todas essas localidades citadas, teria passado pela Fenícia e pela Síria.

Por volta 518 a.C,  após esse longo período de peregrinação, Pitágoras se instalou em Crotona, atualmente no sul da Itália, e lá fundou sua própria escola espiritual (a “escola pitagórica”), através da qual difundiu sua filosofia e suas crenças em geral. As contribuições e conhecimentos transmitidos aos discípulos foram muitos. Pitágoras era considerado não apenas filósofo, mas também músico, astrônomo e um brilhante matemático. Vejamos algumas de suas contribuições nessas respectivas áreas do conhecimento: como músico, descobriu os intervalos musicais e também teria realizado estudos sobre os efeitos da música na psique humana, de certa forma, antecipando o que hoje chamamos de Musicoterapia. Como matemático, destacou-se especialmente pelo Teorema de Pitágoras (cuja fórmula é: a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa), uma relação numérica que se aplica em triângulos retângulos e que, embora não tenha sido uma descoberta sua, era um estudo que, até ser analisado por Pitágoras, não possuía solução (é válido ressaltar que há indícios de que os babilônios já possuíam conhecimento da fórmula – c²= a²+b²). De qualquer maneira, os pitagóricos realizaram vários outros estudos matemáticos e fizeram mais descobertas importantes na área, tal como os Números Perfeitos, por exemplo. Em relação à astronomia (citado por Aristóteles em De Coelo II, 13, 293ª), propôs a ideia de que o planeta Terra seria um astro que giraria circularmente ao redor de uma grande bola de fogo e que esse processo gerava as alternâncias entre dia e noite. No que se refere à Filosofia, identificou os números como sendo a arché, uma vez que percebia que a matemática, de alguma maneira, encontrava-se presente em toda a natureza e que, portanto, os números seriam a base estrutural do mundo.

Somado ao que foi mencionado no parágrafo anterior, um aspecto que caracterizou o pitagorismo foi a doutrina da metempsicose (transmigração da alma entre seres humanos, animais e vegetais), que era uma crença difundida pelo filósofo e por seus seguidores e que, posteriormente, influenciou Platão. Em relação à essa crença, Xenófanes (ca. 570 a.C. — 475 a.C.), certa vez escreveu (frag. 47, apud: BORNHEIM, Gerd): Pitágoras estava passeando, quando, de repente, avistou um cão sendo castigado. Dirigiu-se então ao indivíduo que castigava o animal e, decidido, disse ao sujeito: “Pare de bater.  Pois é a alma de um amigo meu, que reconheci ao ouvir seus gemidos”. Além dessa curiosa história, havia certas características da escola pitagórica que eram bastante interessantes, por exemplo: os feijões (segundo Aristóteles) eram considerados vegetais sagrados e não podiam ser ingeridos. Os pitagóricos não podiam pegar migalhas do chão e nem encostar em galos brancos. Outro aspecto prático era um período de silêncio que durava cinco anos e também a prática do vegetarianismo. Mais um fato importante e válido de menção, é que Pitágoras permitia a presença de mulheres em sua escola.

  Há algumas histórias divergentes sobre como o pré-socrático teria morrido. Conta-se que, certa vez, um grupo de pessoas (provavelmente intrigadas ou até mesmo assustadas com a Escola Pitagórica e seus mistérios) teria colocado fogo na casa do filósofo, em Crotona. A partir desse desfecho, há três supostos finais: o primeiro diz que ele teria morrido no incêndio, e o segundo de que ele fugiu para a cidade de Metaponto. O terceiro, mais intrigante de todos, conta que o filósofo escapou e que durante a fuga, deparou-se com uma plantação de feijão ou fugiu (os vegetais cosmológicos sagrados). Como não poderia pisoteá-los, foi alcançado e morto pelos perseguidores.

Complemento:

Confira abaixo o vídeo sobre Pitágoras, feito pelo canal Conhecimentos da Humanidade:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BORNHEIM, Gerd. Os Filósofos Pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, 1998.

BOTELHO, José. A Odisséia da Filosofia. São Paulo: Abril, 2015.

GARVEY, James, STANGROOM, Jeremy. A História da Filosofia. São Paulo: Editora Octavo, 2013. Tradução de Cristina Cupertino.

RUTHERFORD, Ward. Pitágoras Amante da Sabedoria, 1991. Editora: Mercuryo.

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