RACIONALISMO x EMPIRISMO:

By Acervo Filosófico

Por: Paulo Pedroso

*Caro leitor, deixe seu comentário no final do texto. Suas reflexões, opiniões e dúvidas são importantes para nós. Compartilhe-as!

  RACIONALISMO x EMPIRISMO: A parte da filosofia que se dedica à investigação do conhecimento é chamada de Gnosiologia, Teoria do Conhecimento ou Epistemologia. Esta área investiga o conhecimento e suas relações gerais, seus tipos, possibilidades, origem e essência, além das possíveis relações teológicas que o envolvam. Um dos principais fundamentos da Gnosiologia é a correlação “sujeito-objeto”, na qual o sujeito pode conseguir total ou parcialmente o conhecimento, sendo que este, por sua vez, pode ser real ou ilusório.

A parte da filosofia que se dedica à investigação do conhecimento é chamada de Gnosiologia. Esta área investiga o conhecimento e suas relações gerais, seus tipos, possibilidades, origem e essência, além das possíveis relações teológicas que o envolvam.

  O conhecimento é material de estudo filosófico desde a Grécia Antiga, embora nesta época o termo não existisse. O assunto, no referido período histórico, foi alvo de estudos de pensadores como Sócrates, Platão a Aristóteles. No que diz respeito a sua origem, duas teorias são básicas e servem de suporte para todas as teorias posteriores. Trata-se do racionalismo e do empirismo, temas deste texto.  O racionalismo atribui o conhecimento à razão, aos pensamentos, e para esta linha teórica, toda a realidade é construída através do pensamento lógico. Conforme define Hassen (1987, p.60): “A posição epistemológica que vê no pensamento, na razão, a fonte principal do conhecimento humano, chama-se racionalismo (de ratio=razão)”. Nosso intelecto, através do uso da razão, alinha logicamente os fatos levando-nos a uma conclusão sobre determinado assunto, e nos fazem chegar assim, à validação do conhecimento. Se nossa razão julga um conhecimento como verdadeiro, é porque deve ser exclusivamente assim e não pode ser de nenhuma outra maneira, sendo esse conhecimento autêntico e cuja validade é universal. Para melhor compreensão, pensemos nas seguintes sentenças: “Um conhecimento desse tipo apresenta-se-nos, por exemplo, quando formulamos juízo ‘o todo é maior do que a parte’, ou o juízo ‘todos os corpos são extensos’. (HASSEN, 1987, p.61). Esse exemplo demonstra muito bem a essência dessa corrente filosófica, uma vez que as duas afirmações apresentadas carregam em si validade lógica, necessária e universal, já que seus contrários seriam inválidos e incoerentes.

  Para o racionalismo, mesmo que um pensamento não possa ser provado empiricamente (isto é, através de experiências e do uso dos sentidos), ainda assim ele existe, pois tudo tem uma causa inteligível e, dessa forma, somente a razão pode proporcionar uma verdade absoluta, enquanto que os sentidos são tidos como ilusórios e plausíveis de enganos.

  O racionalismo se divide em várias vertentes: transcendente, epistemológico, metafísico, etc. Essas formas de racionalismo surgiram em diferentes épocas e contextos e divergem sobre a questão do conhecimento ser ou não inato, sobre o processo de “iluminação” dos conhecimentos em nossa mente e sobre a validade e a participação dos sentidos na construção do conhecimento através da razão. Seu método de validação é a dedução, sempre através da lógica. Os principais filósofos racionalistas são Descartes, Leibniz e Espinoza.

  A teoria contrária ao racionalismo é o empirismo. Este, atribui o conhecimento à experiência, e neste caso, considera-se que a realidade é construída pela via dos sentidos, não havendo conhecimentos inatos e tampouco verdades a priori, e mesmo os conceitos abstratos e universais partem de fatos concretos. Assim sendo: “A consciência cognoscente não tira os seus conteúdos da razão; tira-os exclusivamente da experiência. O espírito humano está por natureza vazio; é uma tábula rasa, uma folha em branco onde a experiência escreve”. (HASSEM 1987, p.68).

  Note-se que alguns teóricos empiristas existiram antes desta teoria ser postula e nomeada pela filosofia. Os estoicos, por exemplo, já refletiam sobre o conhecimento comparando o ser humano a uma tábua em branco, na qual não há nada escrito, sendo que esta mesma ideia foi base para teoria empirista de Locke na Idade Moderna. Para explicar os conhecimentos abstratos, alguns empiristas dividiam as sensações em internas e externas, sendo as externas obtidas através dos sentidos conferem uma sensação, enquanto que as internas conferem uma reflexão. As reflexões podem ser memórias, cópias ou fantasias e jamais são idênticas às sensações, sendo que para a maioria dos teóricos empiristas somente as sensações são válidas. Além disso, nesta vertente, a indução substitui o raciocínio e a dedução. Os principais autores relacionados ao empirismo são Francis Bacon, Locke, Berkeley e Hume.

  Além dessas teorias e a partir das mesmas, existem outras a respeito da origem do conhecimento, mas para a compressão de outras ramificações é aconselhável partir do racionalismo e do empirismo, ambas com vertentes aceitas e praticadas até hoje.

Referência:

HESSEN, Johannes. Teoria do Conhecimento. São Paulo: Arménio Amado, 1987. D

Textos complementares:

BREVE INTRODUÇÃO AO EMPIRISMO:

REALISMO X IDEALISMO:

TEORIA DO CONHECIMENTO – Introdução:

 

Related articles

Leave a Reply