SCHOPENHAUER EM FRANKFURT:

By Acervo Filosófico

Por: Juliana Vannucchi

“Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor”. – J.W. Goethe.

Em outubro de 2017, estive na Alemanha visitando uma querida amiga que mora no país há cerca de dois anos e meio. Durante minha passagem pelo local, visitei a cidade de Frankfurt, na qual passei três noites, do dia 20 ao 23. Durante esse tempo em que fiquei por lá, fiz uma maratona de passeios especialmente voltada a locais relacionados ao filósofo Arthur Schopenhauer, que viveu parte de sua vida nessa referida cidade. Abaixo, você confere meu relatório de viagem no qual encontram-se disponíveis informações gerais sobre o passeio (endereços e horários), um breve e introdutório resumo do pensamento do filósofo e algumas imagens exclusivas.

                             Gutes lesen! 

A FILOSOFIA DE SCHOPENHAUER:

É comum que o nome do nosso filósofo seja diretamente associado ao pessimismo, e este tipo de relação  não é incorreta. Entretanto, é necessário salientar que, diferentemente do que algumas pessoas pensam e habitualmente propagam, a filosofia proposta por Arthur Schopenhauer encontra-se muito além de um simples acúmulo de desabafos melancólicos. Podemos compreender essa tonalidade pessimista como um aspecto relevante, mas jamais como algo único que expresse a plenitude da obra do filósofo alemão. Assim sendo, embora seu pensamento seja complexo e contenha uma vastidão de detalhes, abaixo, iremos abordá-lo de maneira resumida e introdutória. No final deste texto, o leitor encontrará uma lista de indicações bibliográficas e alguns links de textos do Acervo Filosófico que visam o aprofundamento de leitura e/ou estudo. 

Partamos de um princípio básico: Schopenhauer afirmava que o mundo  era Vontade e representação (vide o título de sua obra magma – O Mundo Como Vontade e Representação). Dessa forma, é fundamental que possamos compreender estes dois termos. A Vontade consiste numa raiz metafísica atemporal, cega e irracional que se encontra presente em todos os elementos da natureza, manifestando-se de maneira diferente em tais substâncias, mas sendo a essência mais íntima de todas elas. A representação, por sua vez, é o mundo fenomênico que se encontra submetido ao princípio da razão, cujos pilares apriorísticos são espaço, tempo e causalidade. Este é o mundo que o entendimento (intelecto) percebe e que é apenas um reflexo, uma manifestação da coisa-em-si (isto é, da Vontade). Portanto, note-se que não conhecemos as coisas tal como são, mas como se mostram à intuição, não a realidade tal como é. Embora este parágrafo tenha fornecido apenas uma breve e introdutória explanação da filosofia schopenhauriana, já possibilita que percebamos o quanto o pensador alemão recebeu influência de Kant (1724-1804), para o qual o mundo também dividia-se em númeno, que consiste na coisa-em-si, no real absoluto e fenômeno, que é aquilo que o sujeito conhece através de seus sentidos. Entretanto, para o prussiano, não seria possível conhecer o real, mas apenas o fenomênico, enquanto para Schopenhauer, a Vontade poder ser percebida no mundo das aparências e a chave para isso é a funcionabilidade do próprio corpo, através da qual ela se expressa e se objetiva.  

O ser humano, portanto, em seu íntimo é Vontade e esta essência metafísica fundamenta e domina as ações e pensamentos do organismo.  Os objetos são representação dos sujeitos, e essa representação é manifestação da Vontade: “Tampouco eu, sem o objeto, sem a representação, sou sujeito que conhece, mas tão-somente simples vontade cega; tampouco sem mim, como sujeito do conhecimento, a coisa conhecida é objeto, mas tão somente simplesmente vontade, ímpeto cego”. (SCHOPENHAUER,1974, p. 20). Note-se que a representação oculta a essência da natureza que consiste na vontade. Isto significa que a vontade se mostra através da representação de mundo: “Para Schopenhauer, o fenômeno, aquilo e que a representação é ilusão e aparência, é aquilo que na filosofia hindu, chama-se o “véu de Maya”, que cobre a face das coisas. Era como um desafio à sorte e à fatalidade”. (REALE; ANTISERI, 1990, 212). 

Partindo do que foi exposto nos parágrafos anteriores, compreenda-se que o pessimismo schopenhaueriano surge no momento em que o homem percebe que sua vida não lhe pertence por completo, pois todo e qualquer indivíduo está apenas acorrentado e submerso em uma Vontade impiedosa que o controlará independentemente de sua escolha, e é esse o aspecto que compõe cada ínfimo detalhe de toda existência e de todos os seres vivos. Conforme foi mencionado, as menores partículas que se encontram na natureza, até o próprio conhecimento racional do homem, tudo está à mercê da Vontade, que para se manifestar e se expandir, inconscientemente influencia todos seres vivos . Enquanto no íntimo, o ser humano é Vontade, em seu exterior, tudo com o que pode deparar-se é mera ilusão, e sua habitual interpretação de mundo não passa de uma aparição causada e arquitetada pela maior inimiga da humanidade, a Vontade.  Nestas circunstâncias, toda vida, de todo homem, irá essencialmente tornar-se profundamente angustiante e infeliz, sendo marcada por constantes e contínuas sensações de dores e de sofrimentos, uma vez que a natureza humana é caracterizada por impulsos cegos que direcionam e condicionam toda e qualquer ação e pensamento. Esse movimento recorrente da Vontade conduz o ser humano a uma série ininterrupta de desejos que, quando satisfeitos, geram o tédio. Quando um indivíduo consegue finalmente satisfazer um desejo que surge por intermédio de expressão da Vontade, consequentemente, se enclausura inevitavelmente em momentos tediosos, pois no instante ou nos períodos em que a Vontade está momentaneamente satisfeita, a sensação de tédio é que se faz presente, já que não há motivações, impulsos ou necessidades para se suprir. Nota-se, dessa forma, que quando presente, a Vontade é prejudicial e proporcionará tormentos, e quando em escassez, surgirá o tédio como sensação negativa e que, por sua vez, dominará a existência e também aprisionará o indivíduo, ocasionando-lhe sofrimento. Sendo assim, no momento em que se afasta da dor causada pelas necessidades, o indivíduo encontra o tédio, e essa dicotomia oscilante tange vida humana de maneira negativa, pois a luta contra a necessidade (oriunda da Vontade) é uma luta contra a própria dor, e quando livram-se da dor, o tédio surge causando um vazio interior que não pode ser preenchido.

Esse tédio geralmente conduz o indivíduo a uma série de exercícios e atividades que visam superá-lo, fazendo com que as pessoas procurem prazeres e externos como festas, reuniões, luxo e riqueza, apenas para fazer com que o tempo passe. Entretanto, toda essa tentativa de superação do tédio é fracassada, pois o vazio que ele causa não pode jamais ser totalmente suprimido. Na tentativa de combater o tédio, o homem volta-se às coisas materiais, vendo nestas ações, uma forma de fugir da dor. Entretanto, ainda assim, estará agindo em vão, pois o sofrimento vencido pelo tédio, abre espaço para aparição da Vontade que irá se refazer com suas existências imperativas: “Sentimos a dor, mas não a ausência da dor, sentimos a inquietação, mas não a ausência da inquietação, sentimos o temor, mas não a segurança”. (SCHOPENHAUER, 2014, p. 35).

  Contudo, apesar de perceber o mundo como constante sofrimento, Schopenhauer propôs algumas maneiras de anular essa recorrente dor existencial (ou seja, ele propõe maneiras de aniquilar os desejos provindos dá Vontade). A principal forma de abafar o querer é através da arte, especialmente da música, que é considerada como uma expressão artística soberana. A contemplação artística é independente do princípio da razão e por isso faz com que o espectador insira-se num processo de esquecimento de si mesmo, interagindo tão intensamente com a obra que, consequentemente, não é mais capaz de sentir nenhum tipo de desejo. A arte fornece ao espectador a exposição das Ideias, que são objetos da Vontade que ainda não entraram na forma do princípio da razão (especo – tempo – causalidade). Elas conservam formas essenciais, arquétipas, permanentes e universais: “A Ideia é a Vontade assim que esta se tornou objeto, contudo, ainda não entrou no espaço, no tempo e na causalidade. Espaço, tempo e causalidade não concernem à Ideia, tampouco à Vontade”. (SCHOPENHAUER, p.34, 2001).

Neste contexto, o gênio (ou artista) carrega em si o dom de captar essas Ideias eternas através de seus olhos cósmicos, e inseri-las de maneira pura em suas obras, permitindo, dessa forma, que o espectador, através dos olhos do artista, participe da contemplação das Ideias, fato este, que irá levá-lo a se desprender momentaneamente dos desejos oriundos da Vontade e, consequentemente, aniquilará seu habitual sofrimento, embora o faça apenas de maneira parcial. Neste ponto, torna-se fundamental mencionar que o conceito de gênio não faz parte exclusivamente do artista, mas encontra-se presente na natureza de todo e qualquer ser humano, sempre em graus diferentes, uma vez que qualquer indivíduo é capaz de captar e reconhecer o Belo (seja na arte ou na natureza), porém, o artista é quem possuirá o grau máximo de genialidade.

SCHOPENHAUER EM FRANKFURT: 

Frankfurt é o verdadeiro centro da Europa. Aqui em Frankfurt, chegam tudo e todos. Podese ver e ouvir tudo o que se passa através do mundo“.

(Schopenhauer-Jahrbuch, publicado por Paul Deussen et alii, Frankfurt-am-Main, Edição de 1968, o.112. Apud. Rüdiger Safranski, em: Schopenhauer e os Anos Mais Selvagens da Filosofia).

Desde sua estadia em Frankfurt, muitos fatos importantes ocorreram em sua vida. Em 1986, foi publicado o livro “Sobre a Vontade na Natureza”. Três anos mais tarde, recebeu um prêmio da Sociedade Norueguesa de Ciências de Drontheim por seu texto. No ano seguinte, foi novamente premiado, dessa vez, pela dissertação “Sobre o Fundamento da Moral”. Em 1844, publicou a segunda parte de sua obra magna, “O Mundo Como Vontade e Representação”. Em 1851, foi publicado o livro “Parerga e Paralipomena” que rendeu bastante notoriedade ao filósofo. A partir de então, Schopenhauer tornou-se cada vez mais popular e suas obras tornaram-se valorizadas e conhecidas por toda a Europa.

De acordo com as pesquisas e registros de Safranski, a rotina de Schopenhauer em Frankfurt em a seguinte: as três primeiras horas de seu dia eram decidias à produção de texto (pois seu cérebro funcionava melhor nesse período). Posteriormente, passava uma hora tocando flauta, geralmente Rossini. Costumava almoçar fora e tinha o hábito de frequentar especialmente três restaurantes. Incialmente, o filósofo costumava ir ao Zum Schwan e ao Russischen Hof. Alguns anos mais tarde, passou a aparecer regularmente no Englischen Hof. Na época em que frequentava o último restaurante citado, após as refeições, dirigia-se ao Casino-Gesellschaft (uma sala de leitura próxima do Mercado dos Cavalos). Depois de tal atividade, sua rotina seguia: “Após a leitura de seus jornais, saía todos os dias para dar um longo passeio pelas ruas da cidade, com um passo rápido, embora não tivesse objetivo fico, chovesse ou fizesse sol, sem se importar com as condições do tempo e acompanhado por seu cãozinho Pudel, com quem conversava, embora parecesse mais que estava mantendo um monólogo em voz alta; sem dar a mínima para os transeuntes que passassem a seu lado ou para as pessoas paradas nas calçadas”. (2012, p. 530). Em seus primeiros anos em Frankfurt, também foi frequentador assíduo de peças de teatro, óperas e concertos. 

Além do referido filósofo, também é válido mencionar que outras grandes personalidades tal como Goethe e Theodor Adorno viveram na mesma cidade, e produziram uma importante parcela de suas obras no local. 

TÚMULO DE SCHOPENHAUER: 

No dia 21 de outubro, no período da manhã, eu e um casal de amigos fomos visitar o túmulo de Arthur Schopenhauer (Túmulo A-24), no cemitério Hauptfriedhof, em Frankfurt, cidade em que o filósofo passou grande parte de sua vida, desde 1833-1860, ano em que faleceu aos 72 anos.

Túmulo de Arthur Schopenhauer, no cemitério Hauptfriedhof, em Frankfurt (arquivo pessoal).

É fácil encontrar o local, basta entrar no cemitério pelo portão principal e virar à esquerda. Seguindo tal, direção logo se avistara uma placa verde à esquerda, com a inscrição “Schopenhauer – Grab” (grab=túmulo). O local em que o filósofo está sepultado é cercado por uma delicada plantação verde, e a cripta é bem discreta, contendo apenas a inscrição “Arthur Schopenhauer”. Constantemente encontram-se cartas e flores depositadas por admiradores e visitantes. Fiquei no local durante aproximadamente 30 minutos, tempo este que usei para meditar sobre o pensamento schopenhaueriano e contemplar o cemitério, que é muito belo e incrivelmente preservado. Há também outros túmulos de personalidades notáveis, tal como Theodor Adorno (1903-1969), cuja localização é K-119 e o psiquiatra Alois Alzheimer, que descobriu a doença de Alzheimer, em J-44a. Caso haja interesse para visita ao local, o endereço é: Eckenheimer Landstraße 190, 60320 Frankfurt am Main. 

BUSTO DE SCHOPENAHUER:

   Busto de Schopenhauer, em Frankfurt. Moldado em  1895 (arquivo pessoal).

Foi moldado em, 1895 por Friedrich Schierholz e exposta no dia 5 de junho do mesmo ano em memória ao dia do falecimento do Filósofo. Encontra-se exposto em um parque chamado Obermainanlage, que se localiza na região central de Frankfurt.

É uma escultura muito bonita feita em homenagem ao filósofo. Além da beleza da peça, o parque na qual a imagem se encontra, é um ambiente muito agradável. Vale muito a pena passar por lá. O endereço é: Obermainanlage, 14, 60314 – Frankfurt am Main. (GPS 50.110983,8.693760).

SCHOPENHAUER ARCHIVE: 

Na segunda-feira, dia 23 de outubro, visitei a Universitätsbibliothek, que é uma biblioteca vinculada à Goethe Universitä, uma das mais importantes instituições de ensino superior da Alemanha. Na referida biblioteca há uma sala de arquivos sobre Schopenhauer. Eu havia passado no local no dia anterior, que era um domingo, e fui informada de que para entrar numa sala chamada “Archivzentrum” (ou “Schopenhauer-Archive”) era necessário realizar um agendamento com certa antecedência. Assim sendo, no início da manhã se segunda-feira, Heino Pichol, o marido da amiga que fui visitar, é que é alemão (e quem sou muito grata), telefonou no local para marcar meu horário. Fui recebida por um senhor chamado Herr Röper, pontualmente, às 13h00 do mesmo dia. A visita foi gratuita e o guia forneceu explicações em inglês sendo este um fator bastante positivo, por possibilitar que os visitantes que não leem/ou falam alemão, possam compreender de outra maneira as informações dispostas em cada parte da sala. 

Há um tempo atrás, lá ficavam expostos inúmeros objetos pessoais que pertenceram ao filósofo (tal como óculos, flautas, etc) e alguns documentos referentes à sua trajetória. Porém, atualmente encontram-se no local apenas cópias de tais objetos e documentos, com exceção de um sofá, que é o móvel original no qual Arthur Schopenhauer faleceu no ano de 1860, em Frankfurt. Uma ressalva válida: o estofado de tal móvel foi trocado por questão de conservação, mas a estrutura de madeira está intacta e é emocionante ter a oportunidade de vê-lo. Além desta mobília, todos itens originais existentes encontram-se armazenados e preservados pela “Schopenhauer Society” e não estão disponíveis para visita pública. No Archivzentrum, também encontram-se inúmeros quadros (pelo menos uns 20) que foram pintados ao longo da vida do pensador e também postumamente (alguns, inclusive, são bem atuais), sendo que todos são as telas originais das quais muito frequentemente se encontram cópias na internet e também em livros. 

Alguns minutos antes de me retirar da sala, deparei-me com dois livros informativos que estavam  disponíveis para venda, cada um por cinco euros. Ambos consistem em compilações fotográficas e informativas sobre todos os itens e fotografias oficialmente catalogados. Um possui apenas gravuras de Schopenhauer, sendo muitas delas as mesmas dos quadros que encontram-se dispostos nas paredes da sala, conforme citado acima, mas havendo também várias outras originais (várias delas, nunca encontrei na internet). O outro livreto, conforme esclarecido, é também um catálogo, embora este seja referente aos objetos pertencentes ao filósofo. Valeu muito a pena comprá-los são muito bem elaborados graficamente e possuem legendas bem esclarecedoras (embora esteja em alemão). Peças raras e valiosas!  

Uma informação interessante fornecida pelo guia do local, é que Schopenhauer viveu em várias casas diferentes em Frankfurt (pelo menos cinco, conforme já citado anteriormente) e, infelizmente, nenhuma delas foi preservada. Ele comentou que por localizarem na região central, ao longo do tempo, foram reformadas e tornaram-se pontos comerciais (uma delas é uma loja e a outra um hotel). Assim sendo, decidi que não valeria a pena procurá-las, pois penso que não iria agregar muita coisa fotografar prédios comerciais. De qualquer forma, caso interesse aos leitores, sei três endereços (foram os três que pesquisei enquanto estive por lá): Frankfurt a.M., Saalgasse 23 (1833-1836); Frankfurt a.M., Am Schneidwall 10 (1836-1849) e Schöne Aussicht 16 (sendo este último o local em que o pensador faleceu). Além disso, a seguir, com base na obra biográfica  “Schopenhauer e os Anos Mais Selvagens da Filosofia”, escrita por Rüdiger Safranski, seguem alguns dos endereços em que Schopenhauer viveu durante sua passagem por Frankfurt: Alten Schlesinger Gasse, na Schneidwall (Rua da Corte da Muralha, nas proximidades do rio Main); Neuen Main-zerstrwbe (Rua Nova do rio Main); Hangende Hand Haus e Schöne Aussicht, 16, perto da esquina com a Fahrgasse.

                      Archivzentrum – Schopenhauer Archiv.

O Sr. Röper contou muitas histórias e informações interessantes sobre o filósofo. Infelizmente não me recordo de todas, já que a visita foi relativamente longa e (felizmente) recebi muitas informações. Recordo-me, no entanto, de três fatos curiosos, dois deles foram relativos a crises de insatisfação do filósofo em relação à pinturas feitas com sua imagem. Certa vez, teria reclamado que o retrataram com cabelos avermelhados, sendo que ele era loiro. Em outra ocasião, reclamou de uma imagem na qual estaria com “cara de sapo” (sim, com cara de sapo). Um fato interessante que Röper destacou foi o intenso romance entre Schopenhauer e Caroline Medon (durante o período em que o pensador residiu em Berlim). Quando Arthur decidiu deixar a cidade e migrar para Frankfurt, disse à companheira que gostaria que ela o acompanhasse, mas que para tal, a mulher precisaria deixar seu filho de três anos (de outro relacionamento) para trás. Ela se negou e parece que Schopenhauer sentiu-se bastante desapontado. Além disso, parte do que foi relato, já era de meu conhecimento, pois são informações que podem ser encontradas em livros e até mesmo em alguns sites da internet (como, por exemplo, a série de viagens que o pensador fez durante sua juventude e que foram cruciais para que o jovem percebesse a miséria da condição humana e decidisse, de uma vez por todas, que gostaria de dedicar-se ao estudo da filosofia, abandonando as pretensões do pai de seguir a carreira de comerciante).

O Schopenhauer Archive, em suma, é uma espécie de museu, cuja relevância é imensa para qualquer um que se interesse pela vida e/ou obra de Arthur Schopenhauer. É um local discreto e não há muita divulgação e nem informação a respeito, mas, conforme mencionado, para quem aprecia o legado do filósofo, vale muito a pena conhecer e a visita é uma experiência enriquecedora. 

Agradecimento especial:

   Agradeço imensamente pela atenção, apoio e consideração cedida por meus amigos Cássia e Heino Pichol durante minha passagem pela Alemanha e também posteriormente. Sem vocês, esses grandes sonhos jamais teriam se concretizado: “O que passou, passou, mas o que passou luzindo, resplandecerá para sempre.” – J.W. Goethe.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SCHOPENHAUER, Arthur. A Metafísica do Belo. São Paulo: UNESP, 2001. 

SCHOPENHAUER, O Mundo Como Vontade Como e Representação. São Paulo: UNESP, 2015. Tradução, apresentação notas e índices de Jair Barboza.

RUDIGER, Safranski. Schopenhauer e os Anos Mais Selvagens da Filosofia. São Paulo: Geração Editorial, 2011.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario.  In: História da Filosofia. São Paulo: Paulus, 2004. (Coleção Filosofia, volume 5). Tradução de Ivo Storniolo.

SCHOPENHAUER, Arthur. As Dores do Mundo. São Paulo:  EDIPRO, 2014. 136 p. Tradução de: José Souza de Oliveira.

 

 

 

Related articles

Leave a Reply