SOBRE A ESSÊNCIA ÍNTIMA DA ARTE (Arthur Schopenhauer):

By Acervo Filosófico

Por Juliana Vannucchi

(…) As artes dizem: “Vê aqui, eis a vida (…)

* Sobre a Essência Íntima da Arte (O Mundo Como Vontade e Representação, Tomo II, Capítulo 34, em conexão com o 49 do primeiro Tomo). 

   A essência da arte é apresentada logo nas primeiras linhas do capítulo, e ela consiste, conforme as palavras do pensador, em uma tentativa de “solucionar o problema da existência”. (SCHOPENHAUER, 2015, p.487). Esta essência encontrada na arte é a mesma que encontra-se na Filosofia, pois tanto o artista quanto o filósofo lançam-se em um esforço para compreender a verdade que há por trás das coisas, da vida e da existência. Assim, as duas áreas possuem a mesma raiz e, embora haja divergências entre elas, tanto a Filosofia quanto a Arte são movidas pela pergunta “o que é a vida?”. Porém, a Filosofia, move-se pela reflexão, enquanto as artes, por sua vez, dialogam com a intuição. 

   Dentro deste contexto dos papéis das duas áreas, em relação, especificamente à arte, a música destaca-se das outras expressões artísticas por sua profundidade e porque “exprime, numa linguagem compreensível imediatamente (…) a essência mais íntima de toda a vida e existência”. O empenho da arte e aquilo que a torna tão valiosa é  sua capacidade de “mostrar-nos a vida é as coisas como elas em verdade o são” (SCHOPENHAUER, 2015, p.488), porque sem ela (e sem a Filosofia), não há maneira de apreender tais verdades de maneira imediata. A arte afasta a névoa que tange a possibilidade de uma compreensão imediata da vida e das coisas como realmente são, e por isso o papel do artista é o papel de um sábio e suas produções carregam sabedoria. 
   Porém, apesar da semelhança que existe na essência das duas áreas, a arte oferece em suas respostas apenas fragmentos sobre o que é a vida, na medida em que Filosofia possui como tarefa, fornecer respostas permanentes que sejam elaboradas através da universalidade de conceitos. 
Embora ambas possuam a mesma raiz, a arte tem um público maior porque a linguagem da filosofia é mais complexa,  e tem exigências difíceis de serem cumpridas, tanto para o leitor quanto para o pensador que a produz.
 No caso da arte, Schopenhauer explica que quando o espectador que entra em contato com uma obra, só o faz porque o produto artístico oferece um efeito que lhe é intrínseco e que é capaz de estimular sua fantasia. Neste ponto, Schopenhauer esclarecer que figuras de cera não podem ser consideradas obras de arte, uma vez que “nunca produzem efeito estético (…) pois elas nada deixam à fantasia”. (SCHOPENHAUER, 2015, p.489). Por outro lado, encontra-se a escultura, a poesia, e a pintura que são consideradas arte porque são capazes de dialogar com a fantasia do espectador.
  A arte, de maneira geral, em sua busca por respostas e entendimentos sobre a existência, facilita a compreensão das IDEIAS mundanas, e para tal, comunica-se diretamente com a intuição (conforme já citado acima). Já o CONCEITO não pode ser comunicado através de arte, pois sua linguagem é outra, de forma que “uma de arte cima concepção proveio só de conceitos claros é, sem exceção, uma obra inautêntica”. (SCHOPENHAUER, 2015, p.490). Isto significa que a produção artística deve estar isenta de conceitualizações que descrevem algo determinado e que a arte verdadeira é aquela que causa no espectador uma impressão que pode lhe causar reflexão, mas que, não se pode “reduzir à clareza de um conceito”. (SCHOPENHAUER. 2015, p.490). Isso ocorre porque o artista, por mais que possa pensar a disposição de sua obra, antes a intui. 
  Há ainda a observação de que o processo de criação artística pode ser feito de maneira mais ponderada, tal como ocorre com as grandes obras (Hamlet, Fausto e Don Juan) ou, então, de maneira mais espontânea, sem qualquer intencionalidade ou reflexão, sendo que estas últimas causam no observador da obra, um efeito mais infalível em relação ao primeiro processo criativo. 
  Por fim, o filósofo aponta que a arte utilitária é caracterizada pela carência, e é aquela cujo pai é o entendimento e as belas-artes, são aquelas cujo pai é o gênio e que são traçadas pela abundância de conhecimentos além daquilo que a vontade exige. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo Como Vontade e Representação, tomo II2015. Editora: UNESP.  

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